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Relatório da Abert aponta que a imprensa sofreu ataques a cada dois dias em 2022

Foram registrados 137 casos de violência não letal que envolveram pelo menos 212 profissionais e veículos de Comunicação

Realizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), o ‘Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão’ registrou 137 casos de violência não letal que envolveram pelo menos 212 profissionais e veículos de Comunicação em 2022. Isso significa que a imprensa sofreu pelo menos um tipo de ataque a cada dois dias no último ano. Além disso, foram anotados dois assassinatos de jornalistas pelo exercício da profissão.

Em relação a 2021, o documento aponta que houve uma redução de 5,52% no número de casos não letais e de 7,83% na quantidade de vítimas. Porém, para o presidente da entidade, Flávio Lara Resende, não há motivos para comemorar. “Enquanto um jornalista estiver na mira de quem tenta calar ou atrapalhar o trabalho da imprensa, a liberdade de expressão não será exercida em sua plenitude”, defende.

Além disso, em 2022, as agressões físicas estiveram no topo da lista de violações ao trabalho jornalístico. Foram 47 casos contra os 34 do ano anterior, um aumento de 38,24%. O número de vítimas também subiu de 61 para 74, um acréscimo de 21,31%. A exemplo dos relatórios anteriores, as decisões judiciais – que somaram 20 no último ano – não entraram na contagem de violência não letal.

Viés político

Outro dado relevante do estudo dá conta de uma maior incidência de agressões em períodos específicos e com viés político. Ataques em diferentes cidades brasileiras ocorreram, em maioria, nos dias seguintes ao segundo turno da eleição presidencial, durante a cobertura dos protestos contra o resultado do pleito e em defesa de um golpe militar. Outros episódios foram registrados durante a desmobilização de acampamentos em frente aos quartéis do Exército.

Neste sentido, o presidente da Abert destaca: “Tais ações intimidatórias jamais serão o caminho para o aprimoramento de nossa sociedade, da liberdade de expressão e do Estado Democrático de Direito”. O relatório foi feito em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Além disso, contou com apoio da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do Instituto Palavra Aberta.

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