O relatório ‘Global Media Monitoring Project 2025’ (Gmmp), realizado com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgou, recentemente, que a representação feminina na mídia segue baixa. De acordo com a pesquisa, as mulheres são personagens ou fontes em apenas 26% das notícias veiculadas no mundo.
O Gmmp monitora a presença de gênero na mídia desde 1995. Os resultados, ao longo dos anos, indicam que, após um aumento lento e constante na visibilidade e na voz das mulheres, o progresso começou a estagnar em 2010. Conforme o relatório, não houve mudança positiva real durante o período, e nem retrocesso na maioria das dimensões de igualdade de gênero. O levantamento aponta que na América Latina a situação melhorou em cinco anos, mas, ainda assim, a presença é inferior à registrada em 2010 e 2015.
Em 2025, a coleta de notícias foi realizada em 6 de maio e em mais de 100 países. Foram analisados veículos impressos, televisão, rádio e conteúdo de plataformas digitais em um dia, considerado pelos pesquisadores como “comum” no Jornalismo, sem grandes eventos que concentrassem atenção global.
Mulheres como fontes
Conforme o relatório, a participação das mulheres como fontes continua a se dar principalmente em papéis comuns, como provedoras de opinião popular e entrevistadas que prestam depoimentos oculares. A presença feminina subiu nove pontos percentuais em 10 anos nesses segmentos.
Mulheres jornalistas
De acordo com o Gmmp, as mulheres assinaram 41% das reportagens analisadas em 2025, avanço em relação aos 28% de 1995. Os dados demonstram que elas tendem mais a abordar temas de gênero e dar visibilidade a outras mulheres, ajudando a melhorar a representação.
A diferença de gênero entre repórteres na seleção de fontes variou entre cinco e seis pontos percentuais ao longo dos 30 anos, exceto em 2015, quando foi de apenas três. Essa disparidade foi excepcionalmente provocada durante a pandemia de Covid-19. Em 2025, o padrão voltou, com 29% das pessoas citadas, entrevistadas ou retratadas como personagens principais nas reportagens feitas por mulheres, contra 24% nos textos assinados por homens. O relatório completo pode ser lido aqui.

