A proposta do governo de instituir o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) foi classificada como autoritária pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Segundo ele, está por trás da tentativa do governo uma estratégia de tomada “do quarto poder” pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que dirige atualmente a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj). “Estou nesta tribuna para expressar indignação diante de um projeto que só terá similar na legislação dos anos mais duros do regime militar”, afirmou o senador. Simon acusou a Casa Civil da Presidência de ter alterado para pior o texto encaminhado pela Fenaj e de não ter chamado a Associação Brasileira de Imprensa – que também se manifestou contrária à iniciativa -, para discutir o projeto. O senador gaúcho afirmou ainda que a criação dos conselhos regionais de jornalismo “ensejaria perseguições e favorecimento político”.
Ao criticar a atuação da CUT na elaboração do projeto, Simon citou artigo do jornalista Alberto Dines, do programa de TV Observatório de Imprensa. “A CUT não brinca em serviço: a ela não basta dominar a Fenaj. À CUT interessa dominar a imprensa, impor suas regras, suas prioridades e sua ética; apropriar-se do Quarto Poder”, diz o texto de Dines. O senador enfatizou ainda sua opinião contrária ao projeto citando o artigo de Maurício Tuffani , que acusa as mudanças da Casa Civil de estender a atuação do conselho às atividades dos veículos de comunicação.

