
Da Ucrânia ao México, jornalistas estão em risco como nunca antes. E os profissionais da imprensa, apesar das ameaças, permanecem na linha de frente para cobrir conflitos armados e crises políticas, sendo também alvo de injúrias por atuarem na guerra às fake news. CEO da Thomson Reuters Foundation, Antonio Zappulla atribuiu os tempos difíceis a uma “mistura tóxica de desinformação e captura do Estado”.
Em uma conversa na Web Summit, Zappulla citou como uma das ameaças à liberdade de imprensa a estratégia dos processos judiciais contra jornalistas. Ele lembrou do caso da repórter Patríca Campos Mello, que foi processada pelo presidente Jair Bolsonaro após publicar uma série de reportagens, em 2018, sobre uso ilegal do WhatsApp para manipular as eleições no Brasil. “A liberdade de imprensa é boa para a democracia. Sabemos que, como sociedade, estamos divididos como indivíduos sem restrições e sem poder”, disse.
Com experiência de cobertura de conflitos em países como Iraque e Síria, a jornalista Ann Curry compartilhou suas “regras de estrada” com o público que lotou o Fourth Estate, palco dedicado ao Jornalismo. A segurança do profissional, mais do que a história a ser contada, deve ser a prioridade. Ter muito claro qual é o objetivo do trabalho, estar sempre atento e pedir ajuda foram outras das recomendações. “O que aprendi em todos os locais em que estive é que é preciso voltar e lidar contigo: física, mental e emocionalmente. É preciso lidar com o estresse pós-traumático e, nessa hora, o que ajuda é lembrar qual é o teu propósito”, destacou.
Com o apoio do canal Markket e da agência Euro, as jornalistas Cleidi Pereira e Márcia Christofoli, ao lado do social media Felipe Ramires, trabalham em uma cobertura especial da Web Summit. Realizado em Lisboa, Portugal, o evento de Inovação e Tecnologia, que neste ano recebe mais de 250 palestrantes e 70 mil participantes, acontece de 1° a 4 de novembro.

