Zero Hora explica anúncio que defende 'tratamento precoce' contra a Covid-19

Carta escrita por grupo de médicos foi publicada na edição de ontem de jornais e gerou polêmica

Anúncio foi publicado no impresso desta terça-feira, 23 - Reprodução

A edição de ontem da Zero Hora gerou polêmica na internet por trazer um anúncio que defendia o 'tratamento precoce' contra a Covid-19. A carta publicada nesta terça-feira, 23, apresentava um manifesto da 'Associação de Médicos pela Vida' em favor do uso de medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, entre outros para combater o novo coronavírus.

Ao Coletiva.net, a Zero Hora afirmou, em nota, que a responsabilidade é da entidade que assina o Informe Publicitário. Além do jornal gaúcho, as versões impressas de Folha de S.Paulo, O Globo, Estado de Minas, Jornal do Commercio, Correio Braziliense, O Povo e Correio também publicaram o anúncio. 

Conforme a equipe de Comunicação de ZH, periódico de maior circulação no Rio Grande do Sul, o material se enquadra "na modalidade apedido, ou seja, publicação comercial paga feita em jornal". No entanto, a decisão das empresas midiáticas de vender o espaço para este conteúdo foi alvo de comentários contrários nas redes sociais, por contrariar matérias produzidas pelos próprios veículos jornalísticos, sobre as drogas não possuírem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Parte da imprensa também manifestou contrariedade. O jornalista Leonardo Sakamoto afirmou, em sua coluna no UOL, que, com a atitude, "jornais depõem contra o trabalho de jornalistas". A agência de fact-checking Lupa escreveu, em editorial, que é preciso "rechaçar anúncios mentirosos mesmo que isso vá contra seus interesses financeiros". A própria equipe de jornalismo da Folha publicou matéria, na mesma edição que trazia a publicidade, sobre a falta de comprovação científica destes remédios contra a doença.

Confira a íntegra da nota enviada por Zero Hora ao Coletiva.net:

"A respeito da publicação realizada pela associação Médicos pela Vida sobre o tratamento precoce à covid-19, nessa terça-feira (23), em Zero Hora, esclarecemos que ela se enquadra na modalidade apedido, ou seja, publicação comercial paga feita em jornal sob responsabilidade da entidade que assina o Informe Publicitário."

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