A Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas definiu a identidade visual das celebrações de 2026, que terão como tema ‘Herança Jesuítica Guarani: 400 anos de cultura e tradição’. A arte escolhida foi criada pela artista visual Luciane Lewis Xerxenevsky, conhecida como Lux Lewis, e parte da compreensão de que a formação do povo gaúcho resulta do encontro entre diferentes matrizes culturais, com destaque para as culturas indígenas guaranis e para a presença das Missões Jesuíticas.
Dessa forma, a arte apresentada adota uma construção que busca ir além da representação estética, trabalhando a marca como elemento de síntese histórica e cultural. Segundo a artista, o processo criativo foi influenciado por lembranças da infância vivida em Santa Rosa e pela força simbólica associada às Missões, ao território e à cultura gaúcha.
“A proposta partiu da ideia de que a arte não deveria nascer apenas de uma forma pronta ou de um símbolo institucional fechado. Ela surgiu do gesto, do impulso da cor, buscando romper com uma representação literal e trazendo a pintura como linguagem viva. Não parti da forma, mas do impulso. A energia do traço e o arraste da cor construíram a narrativa”, salienta Luciane.
Na composição visual, as cores desempenham papel central na construção do significado. O azul representa a profundidade histórica e as bases do território; o branco remete à luz e à clareza do legado; enquanto o laranja e o vermelho expressam deslocamento, memória e transformação.
Símbolos e narrativa visual
Entre os elementos presentes na arte estão o cavalo, o mapa do Rio Grande do Sul, a cruz missioneira, as ruínas, o fogo e o chimarrão. A proposta utiliza esses símbolos para estabelecer conexões entre pertencimento, continuidade e transformação, compondo uma narrativa visual que relaciona passado e presente. “A geografia ganha vida. A bandeira do Estado virou lenço em movimento, aquele pano que o vento carrega, que o gaúcho usa no corpo, que ondula. Ela está viva”, acrescenta a artista.
Para Luciane, os 400 anos da herança jesuítico-guarani pedem uma identidade que dialogue com a permanência da memória, mas também com o movimento da cultura. “Por isso, a pintura aparece como força ativa: ela ultrapassa contornos rígidos, atravessa fronteiras e conecta território, gerações, história e emoção. Foi uma honra poder transformar essas referências em uma linguagem visual contemporânea, que respeita a tradição e coloca a memória em movimento. Origem é movimento”, afirma.
Avaliação da Comissão
Durante a reunião que definiu a escolha da identidade visual, a Comissão Estadual avaliou critérios como aderência ao tema, consistência conceitual, qualidade estética e viabilidade de aplicação. A aprovação ocorreu pelo entendimento de que a proposta apresenta uma leitura contemporânea sem romper com os fundamentos da tradição.
Na avaliação da Comissão, a arte consegue equilibrar elementos relacionados à memória, ao pertencimento e à projeção de futuro. O grupo considerou que a identidade reafirma a cultura gaúcha como um processo dinâmico, marcado por transformação, continuidade e constante reconstrução.
Como desdobramento, a criação também resultou em um selo comemorativo alusivo aos 400 anos da herança jesuítico-guarani. O material foi desenvolvido para aplicação em diferentes suportes institucionais e promocionais, buscando ampliar a presença simbólica dos Festejos Farroupilhas no cotidiano da população e garantir unidade visual às ações relacionadas às celebrações.
Outro aspecto considerado foi a versatilidade da proposta. A identidade foi planejada para funcionar em diferentes formatos, do ambiente digital aos materiais impressos e à ambientação dos espaços dos Festejos, preservando legibilidade, coerência institucional e força simbólica.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial