'Narrativa de Feminicídios' é tema de livro de jornalista gaúcha

Em entrevista ao Coletiva.net, Nara de Oliveira contou sobre a história por trás da obra

Niara de Oliveira e Vanessa Rodrigues, as autoras do livro - Crédito: Divulgação

A jornalista, escritora e delegada regional do Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul (Sindjors), Nara de Oliveira, lançará, em conjunto com a jornalista Vanessa Rodrigues, o livro 'Narrativa de Feminicídios'. A obra tem o intuito de provocar o tema do papel da imprensa em narrativas de feminicídios e no desprezo estrutural da sociedade. A produção será lançada ainda neste ano, no mês de outubro. Em entrevista ao Coletiva.net, Nara contou sobre a história por trás da obra e o sentimento de escrever sobre o tema.   

Segundo a comunicadora, a ideia partiu de duas feministas que não gostam de manchetes e matérias que revitimam as mulheres. Por isso, elas pretendem alertar colegas de profissão para que, diante dos crimes de gênero, repensem se a narrativa escolhida para seus relatos não está prejudicando as vítimas. "Essa é a nossa grande perspectiva: fazer pensar, provocar, gerar dúvida sobre as escolhas da imprensa nos casos de feminicídio em primeiro lugar e, na continuidade, nos demais relatos de violência contra mulheres'', enfatizou.

Livro Narrativa de Feminicídios - Crédito: Divulgação

No que se refere ao conteúdo abordado, são contempladas algumas questões do tipo: "Quem é o sujeito da ação, num feminicídio? Certamente, não é a vítima. Então, por que a maioria dos títulos das matérias, que narram feminicídios, tem a mulher como sujeito da oração? Por que escolher uma narrativa que vitimiza a mulher e já antecipa a defesa do assassino ou reduz a gravidade do ato que arrancou a vida dela?", indaga. Estas são algumas perguntas que norteiam a investigação das jornalistas.

"Exaustão emocional", foi isso o que motivou as autoras a realizarem a obra. Nara contou ainda que Vanessa e ela  já faziam um trabalho semelhante de análise das narrativas da imprensa desde 2015, quando criaram, com outras mulheres, a comunidade virtual no Facebook. "Na época, reiteradamente nos indignávamos com a maneira como os relatos de feminícido e outras violências contra a mulher como assédio, estupro, violência obstétrica eram publicados na imprensa, especialmente em portais de notícias", finalizou.

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