Daniel Costa: Uma montanha-russa

Entre altos e baixos, o sócio-fundador da Imobi soube cair e levantar para, então, se manter no topo

Daniel Costa é sócio-fundador da Imobi - Crédito: Divulgação

Daniel Costa: Uma montanha-russa

Entre altos e baixos, o sócio-fundador da Imobi soube cair e levantar para, então, se manter no topo

A vida profissional de Daniel Costa foi como o brinquedo mais temido e adorado do parque de diversões: uma hora lá embaixo, noutra, lá em cima. Mas, no final do passeio, uma aventura inesquecível, composta de mais adrenalina do que medo. O administrador formado pela PUC, natural de Porto Alegre, e nascido no início dos anos 80, é um case de sucesso no empreendedorismo.

O sócio-fundador do Grupo Imobi de Comunicação é filho de Gilberto Valentim da Silva, 69 anos, e Dalva Teresinha da Costa Silva, 68, também administradores, e irmão da psicóloga Manoela Costa, 37. Além de um empresário respeitado, é um pai e marido dedicado. Casado com Gabriela Grau Makowski, gerente de compras da Renner, é pai da Isabela, 10, e da Martina, de oito.

Há 15 anos à frente da empresa, Daniel precisou ousar, inovar e se reinventar para não desistir em momentos de crise, e resistir para manter vivo seu sonho. Ignorou conselhos de amigos e familiares e seguiu firme no seu propósito. Vida pessoal e profissional se fundiram, porque é impossível falar dele sem falar da Imobi. Com vocês, Daniel Costa, um homem resiliente.

Altos e baixos, mas avante

Uma montanha-russa, uma roda-gigante ou uma gangorra. Use a analogia que quiser para entender a importância de aceitar os altos e baixos da vida e não perder o foco, como ele fez. Tudo começou quando, ainda pequeno, estudou os anos iniciais na escola pública Odila Gay da Fonseca. No momento em que a situação da família melhorou, migrou para o colégio particular Adventista, passando pelo Mãe de Deus e, depois, concluindo o Ensino Médio no Leonardo da Vinci. Ao terminar os estudos, uma notícia vinda do pai o pegou de surpresa: estavam quebrados, e Daniel precisaria trabalhar para ajudar na renda de casa. Do guri de classe média, cuja família tinha quatro carros na garagem, passou a ser o jovem que andava de ônibus e vendia biscoito Bauducco e massa Barilla em postos de conveniência e minimercados.

Entretanto, foi na vida adulta e profissional que o parque de diversões começou a ter mais emoção. De executivo a empreendedor, muitos loopings foram desbravados. Após aquele um ano e meio batendo perna como vendedor, Daniel foi convidado para trabalhar em um grupo de comunicação multinacional de mídia out of home (OOH), o Internacional Outdoor Advertising (IOH). Lá, teve uma carreira crescente: executivo junior, executivo, executivo sênior, gerente comercial e diretor comercial do Sul do Brasil. Certo dia, a IOH recebeu uma proposta para comprar outra empresa. O grupo não aceitou a oferta, mas seu então diretor, sim. Aos 25 anos, o aventureiro comprou a empresa que ele batizou de Imobi. Ali começou sua carreira como empresário.

O que ele não esperava era que, após seis meses como dono do negócio, o Cidade Limpa entraria em vigor em São Paulo. A legislação foi um baque para a recém-nascida companhia. Todavia, mesmo diante dos conselhos para que ele retomasse a carreira de executivo, Daniel se manteve fiel ao objetivo de imprimir sua marca no mercado gaúcho de mobiliário urbano e publicidade e propaganda. Começou com apenas 13 painéis front-light e foi conquistando espaço. "E o interessante é que todas as portas que eu tinha aberto como diretor da multinacional fecharam-se quando virei empresário", conta, ao descrever o primeiro desafio em sua empreitada. Isso porque não tinha tanta facilidade para fazer reuniões e se apresentar sem o nome de uma multinacional por trás.

O período de 2005 a 2012 foi complicado, colocando à prova sua resiliência. Para sobreviver, a Imobi se reinventou provisoriamente, tornando-se uma empresa de ativação em eventos e buscando relevância nisso. Na conta, estão a inauguração do Velopark, o campeonato de polo a cavalo, de golfe e de tênis. Em 2012, o mercado abriu, e Daniel arriscou novamente, resultando em outras aquisições frustradas. Entre acertos e erros, começou a ter volume de painéis mais importante para se tornar uma empresa relevante no mercado publicitário, além de começar a ir atrás de outros produtos e negócios. Foi assim que a Plug - startup de carregadores de celular de mesa de restaurantes -, por exemplo, virou sócia da Imobi.

A volta por cima

Janeiro de 2020 foi uma data memorável. A Imobi voltou com tudo! Finalmente, ganhou a concessão das placas de esquina de Porto Alegre, e por 20 anos. "Foram R$ 18 milhões de investimento, o pulo da empresa, além da instalação desse mobiliário nos próximos três anos, que dá uns R$ 10 milhões. Essa é uma das concessões mais esperadas pela cidade", celebra Daniel. São 42 mil cruzamentos e 89 mil placas. Deste montante, cerca de oito mil peças contarão com espaço comercializável. "Estou empenhado em deixar nossa Porto Alegre mais bonita e moderna para as próximas gerações", declara.

Não bastasse isso, a Imobi adotou dez pontes na cidade, nas quais artistas imprimem seu talento. Cabe citar também quando ganharam concessões no litoral gaúcho, em 2017, de bicicletários, passarelas e marcadores de quilometragem. "Viramos um player competitivo e reconhecido no mercado de OOH, crescemos sólidos e estruturados", destaca o profissional. E complementa que todo esse crescimento foi fazendo um trabalho ético, respeitando a concorrência.

Quando pensa no negócio que construiu, além da realização de ver o sonho pessoal e profissional se concretizar, fica satisfeito ao pensar nas 40 famílias que ajuda diretamente por meio das remunerações de seus colaboradores. Cada um ali importa muito para ele. "Hoje, a Imobi é o que eu gostaria que fosse: relevante para os clientes, para os funcionários e suas famílias, e para as cidades", orgulha-se. Em tempo: o grupo foi premiado, em 2019, como 'Veículo do Ano' pelo Grupo de Mídia RS e, em 2020, pela Associação Riograndense de Propaganda (ARP).

Vai um vinho aí? Um pagodinho também

Daniel não cansa de surpreender. Além de um apaixonado pelo que faz, também é por vinhos. Tanto que se formou somellier pela Associação Brasileira de Sommelier (ABS). E, ainda por cima, batizou seu cachorro, da raça Lulu da Pomerânia, de Petruz. Mas as paixões não param por aí. Louco por esportes, como ele se descreve, tem entre os favoritos o tênis e a Fórmula 1. Ademais, treina na academia religiosamente.

Nos dias de folga, gosta de viajar e ficar com a família. "Tentamos fazer algo diferente com as meninas, então, qualquer viagem é bacana. Pode ser sítio, praia", justifica. Gosta ainda de visitar os amigos e fazer uma janta, de preferência o bom e velho churrasco. Apesar do futebol não ser a preferência, veste a camisa tricolor em Grenais e campeonatos. No que se refere à música, é extremamente eclético. Vai de samba, pagode, funk, sertanejo, rock e companhia. Inclusive, conta que fez aulas de dança de salão com a esposa e curtiu muito a experiência.

Uma confissão é o fato de não gostar de ler. "Quando leio, é sobre empreendedorismo", diz o empresário que, no momento, tem como livro de cabeceira 'A regra é não ter regras - A Netflix e a Cultura da Reinvenção'. Quanto ao cinema, aprecia longas que, por mais clichês que sejam, contem a história de pessoas felizes e do bem, que querem o bem dos outros. Como exemplos, cita 'Os intocáveis' e 'À espera de um milagre'. Daniel se define assim: uma pessoa que quer o bem das pessoas e, por isso, a identificação com esta linha de filmes.

Resiliência, Respeito e Realização

Mesmo com todos os tombos, ele sempre levantou. Medo de cair de novo? Não tem. Apesar de tudo que já conquistou e cresceu, quer mais. "Me imagino tendo vários outros negócios, crescendo mais no meio, e podendo ajudar muito mais famílias, clientes e cidades", idealiza.

Quando questionado se se considera um homem realizado, nem hesita: "Totalmente!" Ainda frisa o quanto trabalhou para conquistar tudo que tem da maneira certa. Segundo ele, podem falar mal dele por não gostarem, simpatizarem, mas nunca por ter passado a perna em alguém ou por ter feito alguma maldade, visto que se considera um homem íntegro. Além do mais, crê que uma das características que o leva ao sucesso é a preocupação constante com os detalhes em tudo que faz. "Meu olhar está sempre buscando onde tenho que melhorar e no que os outros podem melhorar", explica.

Um cara que a vida ensinou a correr atrás dos sonhos, a ser um entusiasta por empreender, além de ser um paizão e um bom marido. "Sou humilde para reconhecer que preciso aprender muito ainda pra continuar crescendo", afirma. Falando nisso, apesar da modéstia, confessa que é uma pessoa difícil, que não gosta de ser contrariada. De acordo com uma de suas funcionárias, a Deia - a mais sincera -, seu maior defeito é a teimosia, de todos da lista que ela fez. Por sinal, esta é a liberdade que Daniel dá para os colaboradores que trabalham junto com ele, permitindo feedbacks honestos sempre, mesmo diante da busca constante por ser uma pessoa melhor. "Quando me convencem que estou errado, juro que tenho humildade para aceitar", brinca.

Outro valor seu é sempre querer o bem do próximo, não se preocupar com a vitória do outros, olhar para a sua grama, não pegar o que acontece de ruim para si e desejar para ninguém. "Eu engoli muito sapo na vida e deixei de falar muita coisa para os outros porque não leva a nada", desabafa. Hoje, só se preocupa em olhar para o seu quintal, em vencer a si mesmo, e tirar o melhor de cada um, incluindo dele mesmo. E faz tudo isso lá do alto da sua montanha-russa.

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