Guiga Gomes: Ela é pura emoção

Agraciada como Produtora de Agência do Ano no Salão ARP, em 2018, fala com orgulho da sua origem, da filha e da profissão

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O nome dela é Liane Paulo Gomes, mas todo mundo a conhece como a Guiga Gomes. A produtora gráfica da agência DeBrito é puro coração, na fala, no olhar e no abraço. Mas se é para falar dela, temos que começar pelas origens: o pai, Sérgio Concli Gomes, engenheiro civil e professor; a mãe, a advogada Janice Paolo Gomes, e a meia irmã mais velha, Luciana Paulo Gomes, a quem considera a sua "ídola".

A família é pequena, o pai era filho único e a mãe só teve uma irmã, mas aspectos como honestidade e educação foram o grande legado deixado por eles. "Perdi minha mãe com 21 anos e meu pai, seis depois, mas valores são coisas que trago de berço. Se não tivesse recebido isso lá atrás, não sei se eu teria o pique que tenho hoje de acreditar nas coisas, de achar que o mundo está mudando, mas que conseguimos nos atualizar rápido".

Entre as principais lembranças da infância estão os pais dizendo que elas só poderiam sair se lessem dois capítulos de algum livro, ou das brincadeiras com a irmã na beira da praia, pescando peixinhos. "Esse tempo foi a melhor coisa da minha vida", emociona-se ao lembrar.

Mãe adolescente

Uma das coisas mais marcantes da vida pessoal de Guiga é que ela foi mãe na adolescência, aos 16 anos. "Hoje, aos 52, eu te digo, pena que eu não tive três filhos". Engravidou do primeiro amor e namorado, Eduardo, que na época tinha apenas dois anos a mais que ela. Casaram-se, a relação durou outros dois. "Aos 16, aprendi o que era o preconceito, a dificuldade, mas isso fez com que eu valorizasse 10 vezes mais meu pai e minha mãe. Ser mãe me tornou forte, impulsionou-me a trabalhar e entender que só precisava de mim mesma para seguir adiante", recorda.

Quando se separou do primeiro marido, aos 18 anos, ouviu de seu Sérgio que deveria trabalhar e criar a própria filha, para que, no futuro, pudesse dizer que foi ela quem a criou. E assim o fez: voltou a estudar, foi trabalhar e, hoje, morre de orgulho em falar da administradora de empresas Rafaela. "A Rafa tem 36 anos, está casada, formada e é minha melhor amiga, o meu orgulho", declara-se.

Solteira atualmente, teve um segundo casamento por 25 anos e, veja só, o primeiro namorado depois da separação foi o último namorado que teve antes de casar. "Foi muito legal este reencontro, pois nosso relacionamento terminou lá atrás, quando eu contei que tinha uma filha. Hoje, mais maduros, nos reaproximamos e ficamos juntos por dois anos. Foi uma surpresa maravilhosa, pois vimos que tinha muito amor e amizade. O problema é que ele continua morando em Campinas, então, não deu mais certo".

A comunicação

Formada em Publicidade e Propaganda pela Unisinos, em 1993, a vida profissional poderia ter tomado outro rumo, já que cursou Enfermagem por dois anos, mas descobriu que a comunicação fazia parte dela. "Eu sempre gostei de gente. Gosto de conversar, gosto de pessoas. O que mais me motiva dentro da agência, hoje, é conviver com gente nova. Esta galera que está trazendo coisas para dentro da minha cabeça", justifica.

Começou fazendo estágio, em 1984, na Standard Ogilvy. Na época, era assistente fotográfica. Hoje, é uma das coisas que mais gosta - imagem, tratamento e foto. Por isso, escolheu a produção gráfica. Já a primeira experiência em uma grande agência surgiu em 2002, no Sistema Dez, onde ficou por 10 anos. O próximo destino foi a Agência Matriz. "Em seguida, saí de lá e recebi uma oportunidade para fazer produção eletrônica, aprendi e fiz. Agora, em 2019, quero me especializar em produção digital. É assim que vou fazendo a minha árvore profissional, sempre aprendendo", esclarece.

Decidida a sempre aprender, trabalhou com endomarketing pelas agências Comfoco e Santo de Casa, com produção pela Competence, até que retornou por mais um ano para a Dez. "Quando saí da Dez, em 2017, desisti. O corpo desistiu, mas a cabeça continuava pensando. Foi quando a Mariana Dulac, que trabalhou comigo na minha primeira vez da Dez, me convidou para fazer um freela de 30 dias na DeBrito Sul".

Logo que chegou à agência localizada na Zona Sul da Capital, sentiu uma empatia pela diretora da unidade, Liana Bazanela, e acabou ficando bem mais que os 30 dias do freela. "Quando olhei para ela, já gostei. Uma agência jovem, arejada, em pleno desenvolvimento, num lugar maravilhoso, com uma gestora moça e inteligente. Uma amiga do coração. Então, eu me achei", orgulha-se.

Considerando o último ano, de 2018, como atípico, com muitos projetos e desafios, destaca que não esperava o que aconteceu: a indicação, pela primeira vez na carreira, como Produtora de Agência do Ano no Salão ARP. Agradece pelo reconhecimento e sabe valorizar o quanto se dedicou para chegar em 2018, um período ruim para a economia, mas que, para ela, foi muito bom. "Eu provei para mim mesma que tem coisas na vida que o dinheiro não compra e ganhar a estrela foi muito legal. Agora, vou para o bicampeonato, para dar uma irmãzinha para minha estrela", projeta.

Entre gatos, pincel e livros

Nos dias de folga, gosta de ir à praia, em Atlântida, ou de ficar em casa com o Tigrinho e a Chica da Silva, dois gatos. "Quando tenho um tempinho, gosto de brincar de casinha, de curtir minha casa, meus gatos, minha única irmã e minha filha", detalha. Além disso, adora uma tinta, um pincel ou uma canetinha para pintar, de dirigir e levantar cedo da cama. "Acordo com as galinhas e adoro água. Sempre que posso, pego o carro e vou para praia mergulhar. Sou uma peixinha, adoro banho de mar."

Das leituras, são os romances que tomam conta como Crepúsculo, além de Nora Roberts, Sidney Sheldon, entre outros. Até tem alguns livros técnicos para dar uma olhadinha, mas a praia não é essa, admite. Já as músicas são as clássicas e o rock. Também não perde um bom filme no Netflix, ainda mais se for um drama ou romance, claro. "Como chocolate e choro de soluçar vendo filme de amor. Eu acredito no amor e sou só coração."

Torcedora do Internacional, diz que sempre recebeu incentivo dos pais para fazer esportes. Na adolescência, foi jogadora de vôlei e fez parte da seleção gaúcha. Hoje, está fazendo academia para que o corpo consiga acompanhar a mente. "Eu penso demais, então, meu corpo precisa acompanhar. Quando comecei com uma personal trainer, descobri que tinha músculos no corpo que eu não sei o que eles ficaram fazendo parados por 30 anos. Se antes eu podia caminhar, agora eu tenho é que correr, mas posso alcançar as mesmas coisas", desabafa.

Considera-se uma mulher muito satisfeita e diz que acredita que Deus escreve certo por linhas tortas. "Tive uma filha bem cedo e perdi pai e mãe muito cedo também, mas acho que estava tudo certo. Era para ser assim. Deus já sabia que eu tinha que dar aquela neta cedo para eles e que ela viraria a nossa força quando eles se fossem." Também se considera totalmente realizada profissionalmente, porém, pessoalmente, ainda faltam um novo amor e muitas viagens. "Ainda sou moça, então, quero é viver e gozar da vida na maturidade".

Define-se como uma pessoa boa, explica que prefere chorar, sangrar, mas não ter culpa, não sair do caminho do bem. "Não sou boa profissional se não for uma boa pessoa, então, sempre vou continuar no caminho certo e não me perder por aí. Nada vai me fazer abandonar minha índole, minha honestidade, meu amor ao próximo, a minha vontade, a minha esperança."

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