José Luiz Prévidi: Um brigão bem-humorado

A vida marcada por perdas ensinou o jornalista a não levar a sério quem não sorri

Não há drama ou mau tempo capaz de anular a garra, o comprometimento e, principalmente, o bom humor de José Luiz Gulart Prévidi. A filosofia de vida do jornalista se resume em uma única frase: "Não leve a sério quem não sorri." E foi exatamente com esta proposta que há seis anos ele criou o site www.previdi.com.br, onde pratica o jornalismo de opinião, sempre de uma forma leve, descontraída e despretensiosa. No ano passado, informou ele, a página registrou uma média de 800 mil acessos mensais, totalizando quase nove milhões de visitas, oriundas de 38 países.
Prévidi não dá crédito para quem não brinca e não gargalha, porém garante que não passa o dia inteiro rindo. "Eu me invoco, grito, brigo por bobagem, me irrito com facilidade, mas tento permanecer bem-humorado. Mesmo doente tento escrever sempre com alegria", diz.
Da reportagem à assessoria de imprensa, o jornalista já circulou por diversas áreas do jornalismo. Atuou nas redações dos jornais Diário de Notícias, Correio do Povo e Zero Hora, na rádio Farroupilha, em assessorias políticas e editou a revista Press Advertising. É autor de quatro livros: Tempos do Róseo - Histórias de Jornalistas (2004); 15 Maneiras Diferentes de Ser Ainda Mais Feliz (2008); A Revolução da Minha Janela (2008); e Porto Alegre é Assim! (2009).
Infância de perdas
Com apenas 12 anos, o destino o forçou a aprender que a vida não deveria ser levada tão a sério. As trágicas perdas de duas referências masculinas o ensinaram que a existência humana é breve e para alguns, infelizmente, a trajetória é mais curta ainda. O drama familiar que se estabeleceu após o falecimento do pai, Valdemar, que morreu afogado aos 47 anos, e do irmão, Paulo César, que sofreu um acidente de carro aos 18, não derrubou o jovem, grande não apenas no porte físico, mas, também, no caráter.
Apesar destas tristes recordações, ele relembra com carinho a infância vivida no Rio de Janeiro, onde nasceu no dia 20 de maio de 1954. O pai, natural de Caxias do Sul, mudara-se para a Cidade Maravilhosa com pouco mais de 20 anos, para gerenciar a Metalúrgica Abramo Eberle. Lá, conheceu, apaixonou-se e em seguida casou-se com a uruguaia Etina. Com a morte do patriarca, em 1966, e sem parentes próximos, a família veio morar no Rio Grande do Sul. Porém, no ano seguinte, a perda do irmão abalou novamente as estruturas. O tempo curou as feridas, mas a saudade ficou. A mãe faleceu há 20 anos e o filho se emociona ao falar dela. "Ela era uma grande pessoa. Foi pai e mãe ao mesmo tempo e cumpriu bem esse papel", relata.
O sonho de ser jornalista
Em 1974, Prévidi sofreu um acidente de carro que o deixou dois meses de cama, sem andar. E foi neste momento que, segundo ele, começou a pensar em fazer uma faculdade "séria". Na mente, Economia. Mas o coração já pulsava mais forte pelo Jornalismo. Prestou vestibular na Ufrgs e acabou passando para a segunda opção, Filosofia. As dúvidas eram inúmeras e foi graças a um conselho de sua mãe - aqueles do tipo "faça o aquilo que você gosta" - que ele entrou para a Famecos. No final de 1976, passou em um concurso do Banco do Brasil e deixou faculdade para ser bancário em Palmeira das Missões, movido pelo seguinte norte: "Pô, eu tenho que fazer uma coisa séria e ganhar dinheiro!"
A mãe percebeu a infelicidade do filho e o aconselhou a lutar pelo seu sonho. Foi o que fez. O primeiro emprego no meio jornalístico foi como repórter do Diário de Notícias, onde permaneceu por dois anos, até a data de fechamento do jornal: 31 de dezembro de 1979. Neste mesmo período, ainda atuava na Rádio Farroupilha e em uma agência de propaganda, além de cursar duas faculdades. Mas a sobrecarga fez com que ele desistisse da Filosofia.
Teve uma rápida passagem pelo Correio do Povo e trabalhou durante três anos na editoria de Política da Zero Hora. Depois, voltou para o Rio de Janeiro para atuar na área de assessoria de imprensa do Palácio Guanabara, durante o governo de Leonel Brizola.
Sempre inquieto, o jornalista editou e produziu diversas publicações pela Sinal Comunicações. Acredita ter sido um dos primeiros a trabalhar em casa, em uma época que, segundo ele, isto não era algo muito bem visto. "Tinha vergonha de dizer que trabalhava em casa, de atender ao telefone e as pessoas ouvirem o cachorro latir." Em 2000, foi convidado por Júlio Ribeiro para ser editor da revista Press, função que exerceu até 2004.
E a distância despertou a paixão
Quando Prévidi voltou para o Rio de Janeiro, descobriu que era apaixonado por sua antiga vizinha, a Rute, com quem costumava conversar de dois em dois meses, quando morava em Porto Alegre. A distância inflamou a paixão e os contatos passaram a ser diários: por telefone, carta e telegrama. "Estava enlouquecido!". O pedido de casamento foi rápido e feito por carta. O sim foi dado da mesma forma e a relação já dura 25 anos. O casal tem dois filhos, Guilherme, 24 anos, gerente de uma agência do Banco do Brasil, e Gustavo, 20, estudante de Economia e webmaster dos sites do pai. "Eles são uns caras muito legais, porque conseguiram filtrar e pegar o que eu tenho de bom. São debochados ao extremo e isso, graças a Deus, puxaram a mim", orgulha-se.
Em casa tem um apelido que esposa e filhos usam, mas não revela nem sob tortura. Entre amigos é conhecido como Cabeça, isto desde a infância, mas não admite que alguém que não seja de sua intimidade o trate assim. "Minha mãe dizia que eu tenho esta cabeça porque sou uma grande liderança", diz, com o bom humor de sempre.
Mulher, viagem e escrita são as três paixões do jornalista. Cauteloso, Prévidi diz não escrever mais sobre futebol para evitar confusão com "mafiosos". Quando quer descansar, ao som de Beatles, Frank Sinatra ou Dick Farney, tem duas opções de destino: ou a casa na praia em Oásis ou a chácara em Viamão. Também gosta de viajar para o Rio de Janeiro e Montevidéu. Colorado e colecionador de copos, ele costuma ir ao Brique da Redenção aos domingos em busca de relíquias. Quando questionado sobre o que mais lhe dá prazer, o jornalista não hesita ao responder: "Escrever! Simplesmente adoro o que eu faço!" E, no fim das contas, este é o conselho que, por diversas vezes, ouviu da mãe, sempre ela: faça aquilo que você gosta.
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