Leandro Olegário: Um inquieto apaixonado

Há mais 15 anos atuando com Comunicação, ele vê no otimismo a possibilidade diante do caos

Leandro Olegário - Divulgação

"Se eu pudesse voltar no tempo, repetiria a mesma escolha profissional." É assim que o coordenador do curso de Jornalismo da Uniritter, Leandro Olegário, que atua no mercado há mais de 15 anos, classifica sua paixão pela profissão, a qual escolheu há alguns anos. No teste vocacional, nos tempos de Ensino Médio, em primeiro lugar aparecia Psicologia, e, até chegou a cursar um semestre de História. Mas o gosto pela Comunicação se iniciou quando era apenas uma criança e brincava com um gravador, imitando as pessoas da televisão e da rádio. Hoje, com 35 anos, não se imagina fazendo outra coisa. "Não quero que seja clichê, mas não consigo me ver atuando em outra área", declara.

Além de ter a convivência desde pequeno com o rádio, pelo fato de seus avós sempre deixarem na cabeceira da cama o instrumento e o escutarem todos os dias pela manhã, Olegário desde a infância teve contato frequente com os livros. Seus pais, Airton Ferrugem, biólogo militar, e sua mãe, Márcia Olegário, relações-públicas, a todo o momento o incentivaram com o hábito da leitura e sempre o deixaram muito livre e à vontade na escolha da carreira. "Esse ambiente com a prateleira e os livros reflete muito no meu incentivo com os alunos hoje", afirmou.

Natural de Porto Alegre, resolveu que seguiria sua trajetória no Jornalismo a partir de um concurso da rádio Guaíba, para o qual foi sorteado quando estava na oitava série do Ensino Fundamental, no Colégio Militar. A atividade era para acompanhar uma jornada esportiva e o veículo levaria o vencedor para assistir, em São Paulo, à semifinal do Campeonato Brasileiro. Daquela experiência com grandes nomes do jornalismo esportivo, voltou determinado a se dedicar a esta carreira, mesmo com o pai lhe sinalizando de que não teria Natal, nem Ano Novo. Além disso, naquela época, a participação no Grêmio Estudantil, na organização de eventos e nos cerimoniais deixou claro o interesse pela área.

Multiplicação da paixão

Em 2001, entrou na faculdade de Jornalismo na PUC e fez o curso de radialista na Fundação Educacional Padre Landell de Moura (Feplam), com intuito de se capacitar ainda mais. Com o título de verdadeiro 'inquieto' - referência ao termo utilizado para denominar os estudantes da Uniritter em campanhas publicitárias -, desde os primórdios do curso, Olegário enviava currículos para os veículos logo nos primeiros semestres. Antes de ingressar em alguma emissora, prontificou-se para ser voluntário na RádiofAm, veículo experimental da universidade, o que, segundo ele, acabou facilitando seu futuro.

No ano seguinte, o Grupo Bandeirantes abriu processo seletivo e, entre 20 candidatos, foi o selecionado. Dentre os concorrentes, Olegário era um dos únicos que não tinha muitas experiências e estava nos primeiros semestres da graduação. "Pra minha sorte, no primeiro dia estava estreando a rádio Patrulha com o Meneghetti (Leonardo). Aí, eles precisavam de um repórter para dar informações dos ônibus da Região Metropolitana, serviços e passagens, e eu entrei no ar, no meu primeiro dia de estágio", recorda.

Após esse período, em 2004, Olegário foi para a Agência Rádio Web; depois para a Rádio Gaúcha, onde ficou até 2005; e, após a formatura, naquele mesmo ano, voltou a trabalhar na Band para ser efetivado. Entre 2006 e 2008, ele ainda conquistou o título de mestre na PUC com a dissertação 'A metamorfose da síntese noticiosa no rádio' - o texto serviu de base para um grande sonho que se tornaria realidade num futuro próximo: em 2016 aconteceu o lançamento do livro 'Radiojornalismo e a Síntese Noticiosa'.

Transições

Um dos seus maiores desafios foi mudar de rádio para TV, pois, quando ingressou no primeiro veículo, era apaixonado pela plataforma. No entanto, em 2005, recebeu o convite da Band para realizar matérias da cobertura de Verão para a TV. Assim, além das reportagens para os telejornais, apresentou o programa Lado a Lado. "Essa experiência me abriu novos horizontes e oportunidades. Foi um desafio interessante de viver", relembrou.

Na empresa, vivenciou coberturas marcantes. Um dos momentos lembrados por ele foi quando, em 2007, viajou para São Paulo, para trabalhar na Band SP, para substituir colegas que foram cobrir o Pan-Americano, que acontecia no Rio de Janeiro. Entretanto, uma semana depois, ainda na cidade, ocorreu a tragédia do avião da TAM e o que era pra ser uma viagem de 15 dias acabou se tornando um mês. Lembra que foi uma das experiências mais desafiadoras da carreira e que mexeu com sua vida. "Foi bem memorável estar nessa cobertura. Ainda mais pela questão dos gaúchos, de chegar ao local dos escombros, vivenciar isso durante os dias seguidos do acidente, lidar com os sobreviventes, familiares."

Outra lembrança remete a quando acompanhou as Forças da Paz da ONU em Porto Príncipe, no Haiti, no mesmo ano. "Esse impacto de lidar com um país que tem uns dos piores índices de desenvolvimento humano da América mexe com a gente. Voltei outra pessoa", relata. Um ao depois, foi para o Canal Rural, no qual ficou por breves seis meses. Na sequência, ingressou na Record, onde ficou até 2012, quando deixou a empresa para trabalhar na extinta Fundação Piratini. Lá, realizou reportagens especiais, como a cobertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Dividiu essa função com uma outra experiência. Entre 2011 e 2013, engajou-se em um novo projeto com o objetivo de vivenciar a área de assessoria. Foi quando se dedicou à Media - Agência de Comunicação ao lado do colega Bruno Bertuzzi. A passagem pela TVE marcou a última fase do jornalista antes de se dedicar à vida acadêmica. 

Olegário já sabia que um dia retornaria a alguma instituição de ensino, dessa vez, para lecionar. Tendo no sangue o espírito de equipe, a liderança e a vontade por fazer as pessoas se engajarem em projetos, começou a dar palestras e oficinas, o que aumentou o interesse do contato em sala de aula. Então, inscreveu-se na seleção de professores para o curso de Jornalismo na Uniritter, que estava se iniciando em 2012. Para ele, o mais gratificante é poder acompanhar todo o crescimento de um curso. Além disso, a satisfação veio mesmo após ser escolhido, por meio de um processo seletivo, em 2016, para assumir a coordenação da graduação. Atualmente, o jornalista também colabora como apresentador convidado da RDC, no programa Cruzando as Conversas. 

Lida reporteira

Ele logo avisa que pode parecer clichê, mas o que o jornalista encontrou na carreira trouxe-lhe muitas satisfações pessoais. O fato de estar na rua, contando histórias, é o que mais lhe motiva. "Essa possibilidade de encontrar e transformar uma vida é encantador. Eu sempre brinco e falo que é a famosa lida reporteira. Isso é fantástico", afirma. Com mais de uma década de experiência no mercado, acumula no currículo prêmios como o Press e RBS de Jornalismo. Na carreira acadêmica, por outro lado, o que lhe deixa mais entusiasmado são os retornos dos alunos. "Fico muito feliz de estar em contato com os alunos e poder acompanhar sua evolução", conta.

Diz-se realizado, mesmo jovem e sempre em busca de mudança e de novos projetos. E, para o futuro, adianta que escrever um livro dobre TV está nos planos. Afinal, sobre rádio, já tem uma obra assinada. Ainda que carregue para si o título de 'inquieto', considera-se uma pessoa tranquila, que gosta de observar os ambientes e estar em locais que lhe permitam interação entre pessoas. Sem dispensar o happy hour com os amigos, interessa-se por conhecer bares, restaurantes e poder sempre estar circulando. Aprecia, ainda, viajar, principalmente para o Litoral, ao som de MPB.

Nos momentos de lazer, o que chama sua atenção são séries de investigação criminal, sempre acompanhado de café, bebida que não pode faltar no seu dia a dia. Carrega consigo a paixão pela família, com destaque para os irmãos. Conta que  a parceria e sintonia que tem com Gabriel, o do meio, e Natália, a caçula, é maravilhosa.

Sempre em busca de se esforçar para que as coisas aconteçam e, habitualmente, com o pensamento positivo, Olegário se considera um eterno sonhador. "Idealizo bastante e os próximos passos são transformar os sonhos em realidade. Venho me esforçando para isso", assegura. Com o lema 'pessoas apaixonadas são pessoas apaixonantes', o jornalista leva na rotina o hábito de agradecer muito e reclamar pouco. Para isso, sempre procura rezar e mentalizar coisas boas para se manter conectado consigo mesmo.

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