Mariana Turkenicz: Worklover

Sócia-fundadora da Enfato Multicomunicação carrega desde criança a vontade de empreender

Sócia-fundadora da Enfato, Mariana Turkenicz - Crédio: Dani Villar

Após a 2ª Guerra Mundial, o polonês Nachman Turkenicz veio ao Brasil com a esposa e o filho de seis meses, para fugir de tanta destruição, violência e sofrimento. Para encontrar um lar. Em Porto Alegre, após trabalhar no ramo do comércio, refez a vida ao reunir engenheiros a fim de construir prédios. Poderia ser o enredo de um filme, mas esta é a história dos avós e pai da sócia-diretora da Enfato Multicomunicação, Mariana Turkenicz.

Além do avô, que é a maior referência dela, a avó materna, Fani, também foi uma inspiração para Mari - como é conhecida. Quando as mulheres não trabalhavam, ela possuía e gerenciava a 'Boutique Mariana', no Bom Fim. Foi neste ambiente inquieto e determinado que ela cresceu e, quando criança, já imaginava ter o próprio negócio, onde a empresária teria uma mesa e detalhes de escritório.

Apesar de ter a obstinação de empreender, Mari não sabia qual a profissão que permitiria isso. Sempre gostou de Comunicação e, quando era pequena, fez aulas de teatro por muito tempo, o que, segundo ela, pode ter impactado no gosto pela área. Cautelosa, antes de tomar a decisão de qual carreira escolheria, conversou com profissionais de diversas áreas para conhecer o trabalho de cada um, assim como as oportunidades de carreira. E, desde então, o Jornalismo faz parte de sua vida.

Contudo, ao perceber que, na época, a faculdade que estudava, Famecos, era voltada para formar repórteres, sentiu-se confusa e decidiu trancar o curso. Com o desejo de estudar inglês, a obstinação de conhecer o mundo com total apoio e encorajamento da família, aos 21 anos Mari passou um mês estudando inglês em Londres. Após, ao longo de cinco meses, fez um mochilão pela Europa. Um momento da vida dela sem roteiro, mas que foi um divisor de águas para se conhecer melhor.

Quando retornou, mais madura, refletiu que deveria encontrar algo que gostasse de fazer dentro do curso. Foi então que teve contato com o que era chamado de Jornalismo Empresarial. Nesta época, conheceu a colega Raquel Boechat, que também tinha uma visão empreendedora. Nos corredores, as estudantes brincavam que eram sócias. E são até hoje.

Perseverança

Durante o período da faculdade, estagiou no jornal de Alvorada 'Correio Dinâmico', na editoria de Polícia. "Uma experiência chocante", revela. Também trabalhou em uma agência de Comunicação na parte de conteúdo, na prefeitura de Porto Alegre e em um estúdio fotográfico. Após se formar, Mari realizou o sonho e abriu uma empresa com Raquel, a colega que chamava de sócia. Desde então, a Enfato Multicomunicação está em atividade há quase duas décadas.

Ela, que possui MBA em Marketing pela ESPM-Sul, não consegue escolher apenas um momento ao longo da trajetória de mais de 20 anos de carreira. "Somos feitos de pequenos grandes marcos, que fazem com que consigamos construir nosso caminho", reflete. Entretanto, cita algumas conquistas, como o sucesso de clientes e a aprovação da equipe por algum projeto.

De acordo com Mari, um dos maiores desafios da trajetória é gerir uma empresa, principalmente pelo dever de ser persistente. "Mas quando se consegue conciliar o que gosta de fazer, com brilho no olho e muita vibração, acho que isso é se sentir realizada", diz. Contudo, salienta: não pode nunca parar. Apaixonada pelo trabalho, brinca que não é uma workaholic, mas uma worklover - termo que escutou em uma palestra de Miguel Falabella, e significa amar o trabalho. Por isso, até em casa tem um lugar dedicado a ele, confessa que pode estar caindo o mundo lá fora que não percebe. A jornalista ainda consegue otimizar as demandas por meio do celular em qualquer lugar que esteja.

Mari, que não se considera capaz de separar o papel de ser jornalista, mãe e cuidar do lar, diz que tem um lado só. Isto porque não consegue fazer a cabeça parar por um minuto sequer. Todavia, enquanto por um lado isso é bom, por lhe possibilitar ter flexibilidade para trabalhar a qualquer momento, torna-se negativo quando não a permite relaxar e se desligar.

Rotina acelerada

Em um relacionamento com Daciano há 27 anos, ela, que conheceu o eterno namorado aos 17 anos no bar 'Teatro Mágico', por meio de amigos, decidiu, depois de um tempo, que tinha chegado a hora de ser mãe. "Esta decisão demorou, pois houve todo um penso", conta ela, ao revelar que ocorreu muito planejamento para conseguir conciliar a maternidade com a carreira. Hoje mãe de um casal, que prefere não identificar os nomes por questão de segurança, possui uma rotina bem corrida.

Buscar os filhos na escola e reuniões com clientes são alguns dos eventos que dividem a sua atenção. E toda esta correria começa com a preparação do café da manhã, às 6h30, para os filhos. Com o tempo e a maternidade, Mari conta que aprendeu a conciliar tudo, além de rever as prioridades. Quando consegue, destina um tempo do conturbado dia a esportes, como o treinamento funcional, além de estudar inglês.

A irmã mais velha de Laura ainda soma a tudo isso ministrar algumas aulas. De 2013 a 2016, conduziu no curso de extensão da Unisinos, em Gestão de Eventos, o módulo sobre assessoria e relacionamento com a imprensa para eventos. Também na Universidade do Vale do Sinos, em 2013, foi coordenadora do curso de extensão de formação em Comunicação Corporativa, além de dar aulas sobre assessoria e relacionamento com a imprensa. Além desses, em 2019 será professora do MBA em Gestão de Eventos da Rede Fecomércio de Educação - Senac, na disciplina de Comunicação de Eventos.

Filhos: maior diversão

Caseira, a principal atividade fora da rotina de trabalho é realizar algum programa com o marido e os filhos. Levar os pequenos ao cinema é uma das opções mais bem quistas. As crianças se divertem ao ver que a mãe, tão racional, chora ao assistir a diversos desenhos animados, como é o caso de 'Trolls'. Adoradora do gênero, Mari é apaixonada por 'Divertida Mente', que nunca sai do repertório na hora de ter uma sessão em casa.

Gosta, também, de filmes pelos quais a fazem dar uma repensada sobre a vida, como é o caso do último longa-metragem que assistiu, 'Antes de Partir'. No entanto, confessa: obras violentas, como aventura e terror, estão fora de cogitação para aparecer na sua telinha. Ela, que gosta de fazer somente o que resulta em se sentir útil, acompanha apenas as séries que os filhos olham, como é o caso de 'Flash'. Isso porque acha que ver TV, por exemplo, é perda de tempo quando tem outras demandas.

Além destes, diz que nunca para na frente da televisão para ver um programa ou algo do tipo, pois não consegue ficar estática. "Eu até tento, mas não consigo dar seguimento. Parece que estou perdendo tempo!", enfatiza. Sobre leitura, gosta de enredos que tratem sobre algo não fictício, como é o caso do livro que está lendo atualmente, 'Spotlight'.

O gosto por viajar continua, daquela que já colocou o pé no mundo. Além de tentarem viajar seguido para a Serra Gaúcha, como passar o dia em Bento Gonçalves ou Canela, adoraria retornar a Londres. "Apesar de eu ser terra, muito pé no chão, adoro mar", conta ela, ao citar ainda o encanto pela Costa Oeste da Flórida. Além da capital da Inglaterra, outro destino que deseja muito levar os filhos para conhecer é Paris.

A pequena, de oito anos, é uma verdadeira chef de cozinha. Ao contrário da mãe, que não cozinha nada, ela vê programas de televisão sobre culinária, lê livros sobre o assunto e, como Mari brinca, "coloca a mão na massa". "Ela diz para todo mundo, com convicção, que vai estudar gastronomia em Paris", relata. Ao contrário da maioria, que afirma ter a comida da mãe como predileta, a jornalista conta, orgulhosa, que tudo o que a filha faz é maravilhoso. Apesar de não ter um prato favorito, diz que adora descobrir novos sabores, mas que frutos do mar e massa estão entre os que mais a atraem nesse quesito.

Apaixonada por música brasileira, gosta de Adriana Calcanhoto, Legião Urbana, Marisa Monte, MPB em geral, além da banda britânica Rolling Stones. Entretanto, tem escutado muitas playlists com o filho, de 11 anos. Ele adora criar seleções musicais com hits, segundo ela, mais jovens, que colocam no carro e dançam juntos. Mari confessa que não é o tipo de pessoa que acorda e liga o rádio para escutar música, pois prefere acompanhar as notícias na frequência AM.

Hermana

Para estudar Psiquiatria, Abraham levou a então esposa, Lea, para morar na Argentina. Após retornarem ao Brasil, depois de 10 anos, um pedaço do país vizinho veio junto: Mariana. A jornalista, que nasceu em Buenos Aires, viveu lá até os quatro anos. Como hermana, carrega a fluência do espanhol, por ter frequentado o jardim de infância no local. Contudo, foi no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, que passou boa parte da vida. Por ser uma época mais segura do que os tempos atuais, tinha a liberdade de voltar sozinha do colégio. "Eu só não podia atravessar a Ramiro Barcelos, pois era muito grande", relembra.

Persistente, é mais visual: precisa enxerga o todo. Além disso, é racional, e pensa em possibilidades. Apesar disso, se emociona com muita facilidade. Mari diz que tenta compreender as situações e pessoas. Se não concorda, respeita. Tenta se questionar muito sobre os acontecimentos e é superperfeccionista. Ainda se diz empática e bem-humorada. Porém, revela: é um pouco impulsiva e, em alguns momentos, não consegue esconder as emoções e os sentimentos. Mas, mesmo com as cobranças, carrega a leveza de enxergar o lado bom de tudo.  

 

 

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