









Um passado a ser esquecido é parte de uma história que parece estar sendo bem escrita. Quem viu o antes, quem observou no que se tornou – infelizmente – , e vê o hoje, não tem como não reconhecer o trabalho que vem sendo feito. Este Por Dentro poderia ser descrito como um novo cartão de visita e o momento atual ainda nem é definitivo, pois parece que o caminho a ser percorrido reserva mais feitos positivos.
Orestes de Andrade Jr, um missioneiro com passagens por órgãos públicos, tv estatal ,entre outras atividades, assumiu a missão de tornar novamente relevante a antiga UlbraTV, tão importante na Região Metropolitana, juntamente com a rádio Mix. Tarefa de pronto das mais complicadas. Três problemas: pessoas, estrutura e equipamentos. Em meio a caixas, cadeiras quebradas, equipamentos obsoletos e 15 pessoas apenas, a missão era tornar viável veículos que passaram a ser uma verdadeira terra arrasada.
Paciência, pessoas bem escolhidas, fazer diferente do que já é feito, confiança dos acionistas e muita criatividade, deram o toque para o caminho novo a ser percorrido. Sair de uma recuperação judicial vultosa, atrelado à própria recuperação da marca da universidade onde estão incubadas a TV e a rádio.
E eis que surge a Multi RS, marca adotada para as diversas plataformas, presentes, é claro nas dependências da Ulbra, mas em mais dois pontos: Porto Alegre e Litoral. Hoje, com estruturas modernas, bem planejadas, e agradáveis, mostram uma nova realidade. E, parece, das boas.
Uma pedra no caminho
Tudo ia bem. Mas tinha uma enchente no meio do caminho. A Ulbra se destacou no envolvimento da tragédia e os planos da TV e rádio foram um pouco afetados. Mas passado o episódio, a nova história começou a ser escrita. Neste momento, 66 funcionários. Direção das duas emissoras unificadas com uma mesma direção jornalística e redações integradas. Equipamentos novos, layouts internos redefinidos e um otimismo pulsante e visível.
Fernanda Schiavo , por exemplo, com 22 anos de experiência em TV, no RS e fora dele, volta em meio à enchente. Hoje, comanda dois programas diários, e se derrama em elogios e satisfação. Chega a declarar: “é o melhor lugar onde trabalhei, pois especialmente nas grandes emissoras, tudo já existe, tudo está feito e a cultura interna estabelecida. Aqui não. O ambiente é ótimo, a estrutura atual é excelente e as metas muito desafiadoras”. Diz ela – falando um pouco de si: “pessoas satisfeitas entregam mais e melhor, e uma redação integrada, unindo a experiência de alguns com a inquietude dos jovens, dá um resultado fantástico. É o que sinto no meu retorno.”
Thatiane Ott, a Thati, ou a “mãe de todos”, atual diretora institucional, revela duas realidades iniciais: “vim em saber o que encontrar pela frente, confiando no projeto do Orestes, sem função definida”. Apenas uma missão: botar de pé o novo projeto. “Foi difícil. Ambiente sucateado, pessoas tristes e sem perspectivas. Ver o antes e o que construímos me faz sentir realizada. Saíram uns três caminhões daqui com entulho. Mas o clima hoje é outro. Diferente e bom”, conta.
Giovani de Oliveira, produtor do Agro, parece ser um dos mais entusiasmados. Refere que apesar da atuação prioritária, ajuda e muito na rádio Mix, e tem algumas participações no Grenal na TV. Experiente na telinha, tendo iniciado na área do impresso, já está há um ano na emissora e revela uma faceta peculiar, ao confidenciar que chega todos os dias às 8h cantando.
Aliás, virou marca registrada entre os colegas essa prática. “No início, tive dificuldades de entender a mudança, pois venho de modelos convencionais, mas aos poucos fui me adaptando a ponto de estar curtindo essa nova fase. O investimento é grande e motiva muito ver gente chegando. Isto dá confiança”, finaliza.
Por falar em “chegando”, Eduarda Alcaraz é quem chegou recentemente. Sempre é bom saber a impressão de quem ingressou na equipe há pouco, por mais suspeito que pareça. Ela é produtora do ‘Cafezinho’, na Mix, e do ‘Poder RS’, na TV. Jornalista com experiência na Política, está desvendando o gosto de estar em outra área há pouco menos de dois meses. “Tudo muito novo e embalado pelo mantra de pensar em não onde estamos, mas onde queremos chegar.”
Revela que os medos são superados pelo apoio que recebe dos colegas, especialmente por ser oriunda de uma editoria muito diferente. Em seu favor, pode-se dizer que o clima da redação pareceu mesmo ser de um astral muito positivo, o que elimina o entusiasmo comum de quem está começando. E a “rede” de auxílio parece mesmo ser real e efetiva.
O gestor, Orestes, fala muito sobre o pilar “pessoas”. Mas não só delas se constroi um projeto ousado, especialmente quando se “olha para o retrovisor”. Faturar, investir com apoio de muitas parcerias também é receita necessária e, neste sentido, orgulha-se de revelar ter dobrado o faturamento em 2024. Exatos 117%, diz ele.
Para sustentar esta mola propulsora, é importante contar com o talento e a experiência. Sem eles, não se chega muito longe. E a emissora apostou em José Pedro Villalobos e Vera Bavaresco, colunas dorsais do veículo. Juntos, somam muita experiência e conhecimento. Ele como diretor de Jornalismo e programação e ela como Diretora Comercial.
Villalobos, do alto de sua experiência, diz: “participei de uma das tantas reestruturações da TVCOM, mas aqui é diferente. Tivemos que reconstruir tudo praticamente do zero, o que é desafiador mas muito estimulante . Em pouco tempo agregamos cerca de 50 pessoas, com poucas baixas desde então, formando um grupo capaz de colocar a operação de tv e redes sociais no ar”, diz, ao complementar: “criamos programas, tanto na tv quanto na radio e buscamos qualificar os produtos que já estavam no ar”.
Ainda segundo o gestor, no caso deles, já foram 60 pessoas, com poucas baixas desde então. “Aqui não havia estrutura física minimamente adequada. Na prática, não havia estrutura. Ela foi criada, assim como estamos criando novos produtos a todo instante.”
Vera, por seu turno, revela que vendeu de tudo na passagem por outro grupo e esse aprendizado tem ajudado muito. “Passei pelo OOH por último e adorei. Mas rádio e TV falam mais alto. E aqui tem tudo por fazer. Apesar do tempo de vida e de mercado, é por demais desafiador, embora estejamos tentando organizar tudo em meio à loucura.”
Mas como corroborar toda esta história retirando os aspectos do novo, do mobilizado e do bacana? Ana Paula, diz singelamente, que faz limpeza. Ela trabalhava antes no prédio 29 da Ulbra, onde atua há dois anos. Contudo, há um mês a transferiram para o veículo.
“Lá, ficam as compras e máquinas. Estou muito feliz aqui. Fico até deslumbrada! Vejo muitas pessoas. Semana passada fui servir um café e pensei: nossa! Conheço esta pessoa de algum lugar! Perguntei quem era a um colega e me disseram que era do Masterchef. Eu sabia! Imagina…Até o Malenotti (vocalista da banda Acústicos e Valvulados) eu conheci.” Emenda, dizendo que é muito bem tratada. “Sabe né, a gente da limpeza nunca é vista”.
Eduarda Dias é a arquiteta que assina toda a reformulação, da recepção aos cenários. Terceirizada, já se considera da casa e acha que conseguiu dar a cara que esperavam. E quando cliente e, especialmente o profissional, veem o resultado que esperava concretizado, até a produtividade de todos aumenta.”Trabalhei muito a questão do bem-estar. E parece que deu certo.”
Orestes arremata dizendo que ao chegar, entre 13 pessoas, havia apenas dois jornalistas, que trabalhavam com seus notebooks. “E não é fácil sair de uma recuperação judicial. Pagar 11 bilhões pra sair dela já é um feito. Recomeçar, entretanto, como estamos fazendo, é outro feito.” Por fim, destaca: “Multi RS é multi, afirma. É TV aberta, TV fechada, streaming e redes sociais. E vem novidades aí que não posso adiantar”.


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