Corações e Mentes

Por Flavio Paiva

Sim, tirei o título da coluna do documentário realizado sobre a Guerra do Vietnã, na década de 70. A coluna não pretende falar sobre o filme, mas aproveitar o título, que para aqueles com um pouco mais de trecho ou que gostem mais de cinema/cultura, é bem conhecido.

Se o filme tratou da Guerra do Vietnã e suas consequências práticas, tanto em termos de mortes quanto de traumas psicológicos, entendo que depois de 1 ano submetidos de uma certa forma a um inimigo que muitas vezes se teme que surja de qualquer lugar, a qualquer hora, vindo de qualquer pessoa, estamos bastante desgastados.

Claro, a Sétima Cavalaria(essa é para os com mais trecho também) parece que finalmente está chegando na forma das vacinas. Isso é música para os ouvidos, para as mentes e para os corações de todos. Um suspiro de alívio, materializado em seringas, doses, olhares de esperança e até perspectiva de reuniões novamente acontecendo. Falo de reuniões entre pessoas, nas suas mais variadas formas: em shows, peças, filmes, eventos familiares, empresariais, reuniões de aniversário e "eventos" de 2 pessoas, como abraços e aproximações (ou re).

Distanciar a todos os humanos em maior ou menor dose disso, do que nos une e faz humanos, foi e está sendo uma prova gigante para as mentes. Um desafio, depois de o de se manter financeiramente viável e com a saúde física em razoáveis condições está sendo o de manter a sanidade mental possível. Existem os que resistem mais, os que resistem menos, mas não existe mais ninguém que não tenha sido afetado nisso. Chegou para todos, até então da sua pior forma.

Agora o sol parece estar finalmente raiando, anunciando um amanhã mais firme e mais bonito. Claro, a coisa está se dando aos poucos e em velocidades diferentes entre os países, de acordo com as suas condições materiais. Mas o fundamental, o mais importante e o que eu considero impressionante, dada a velocidade do desenvolvimento: está acontecendo.

Estou minimizando as vítimas que houve? Olha, nem vou me aprofundar nisso, porque quem me conhece minimamente, seja pessoalmente ou por essa mídia sabe o quanto me importo, tenho empatia e solidariedade, em especial pela dor do outro. Então, evidente que não estou minimizando. Mas as vítimas já são um fato, que não tenho, por mais que quisesse, como fazer voltar atrás. Faço ideia da dor e da tristeza das pessoas que tiveram perdas nesse período. E eu realmente gostaria de ter feito algo para evitar ou então, atenuar essas dores. Mas para tanto, sou incompetente, pois se trata de muita gente e meus recursos são escassos nesse sentido.

Então, fico feliz em saudar o que está acontecendo agora, dessa leva de vacinas chegando, pessoas sendo vacinadas e um novo amanhã sendo desenhado. Vai ser assim, de repente? Evidente que não. Existiu e ainda está existindo muita perda econômica também, que precisa ser ou recuperada ou viabilizada de outra forma. Mas existe aquela luz do fim do túnel. Um sol no horizonte, com um dia bonito se anunciando. Vamos apostar que este dia vai ser de reconstrução, de caminharmos em maior número possível numa direção conjunta, de refazimento e daqueles que puderem, solidariedade. 

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