O dia 6 de abril

Por Iraguassú Farias, para Coletiva.net

Véspera do Dia do Jornalista. Em seguimento ao propósito desta semana, este espaço estava destinado ao texto de renomado profissional, em alusão à data comemorativa. Mas nosso writer de hoje foi atropelado pelos acontecimentos. Neste dia, véspera, mas nada mesmo é mais importante do que ocupar-se da pauta dominadora de todos os veículos, que é a ordem de prisão de um ex-presidente.

Uma profissão que no meu entendimento particular - e friso, bem particular, absorve facilmente as cores do pensamento mais anárquico, mais rebelde, mais à esquerda - se é que se pode dizer assim, já nos primeiros meses de formação, cumpre neste dia um importante papel: o de informar, e muito. E bem.

Hoje o mister é transmitir, ouvir e dar opiniões. Exatamente aí reside o sagrado da profissão: formar opinião. Auxiliar no processo cognitivo das pessoas.

E em tempos tumultuados, atuais ou passados, a importância do jornalista cresce. E os que estão há mais tempo neste mundo sabem muito bem localizar os momentos em que o exercício da profissão, ou não, atingiu o clímax de mudar o curso da história, elegendo mandatários, sustentando ditaduras ou estabelecendo tempos democráticos mundo afora.

Ainda hoje alguém disse que este dia é a Copa do Mundo do jornalista. E penso que não esteja muito longe da verdade, assim como acho que as fissuras serão expostas no cumprimento das obrigações profissionais nas redações de todos os veículos.

O purismo da formação esvai-se em muitos quando já no mercado, parecem um carro lotado chocando-se contra um muro, ao perceber que a moldura está a impor limites porque o dono, o patrão enfim, está alinhado a uma tendência, seja ela qual for. Em tempos de exceção, não estar alinhado, pode significar quebrarem-se as rotativas.

Não fiquei imune quando empregado de instituição federal, fui compelido a autorizar verba publicitária para um determinado grupo de comunicação para "pagar os cinco anos" de um determinado presidente da república. Não me orgulho nem me envergonho. Tive de entender a regra do jogo. Esta regra que deve também assombrar e tirar o sono de tantos quando são induzidos a vender sua escrita, sua fala. Pagar as contas é preciso.

Voltando ao Dia do Jornalista, em nome do portal Coletiva.net, registro os cumprimentos a todos os jornalistas, especialmente aos que são nossos assíduos leitores.

Iraguassú Farias é administrador e diretor Comercial do portal Coletiva.net.

 

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