Um estranho no ninho da Coletiva.net

Por Marino Boeira

Coletiva.net é um feudo feminino. Começa pelo nome. Sempre ouvi falar de coletivo, - de trabalhadores, de estudantes, de políticos -, mas esse termina com um 'a' para deixar bem claro do que estamos falando.

Engraçado que, quem me falou primeiro em Coletiva.net foi um homem, o Iraguassu Farias, que conheci através de um  amigo comum, o Luis Octávio Vieira. Foi ele que me ofereceu o espaço para escrever semanalmente uma coluna em Coletiva.net, certamente autorizado por aquele grupo de moças, comandado pela Márcia Christofoli, que comanda o portal.

Como todo mundo sabe, não sou propriamente um defensor das causas femininas. Alguns até, injustamente, enxergam laivos de machismo na tentativa que faço de benquadrar a luta, muito justa, das mulheres pelos seus direitos, dentro de uma luta maior, que é a luta por uma sociedade mais justa.

Vamos falar bem claro: o que entendo por uma sociedade mais justa é uma sociedade socialista, mas não esse socialismo light, onde cabe todo mundo, do Jean Wylliys ao Fernando Haddad. Minha praia é outra, pretendo ser mais um marxismo de raiz, com pitadas de Slavoj ZizeK e Istvan Meszaros para ficar mais palatável aos nossos intelectuais progressistas e de esquerda.

Então eu me perguntava (ao Iraguassu eu não perguntei para que ele não pensasse em anular o convite) o que iria fazer um cara com fama de machista e comunista (um pouco injusta a primeira classificação) numa publicação voltada para noticiar e comentar os eventos da mídia burguesa e agências de propaganda e, ainda por cima, comandada por um grupo de mulheres feministas?

A resposta é que continuo com minhas convicções, a Coletiva.net continua dando cobertura aos eventos de mídia burguesa  e às agências de propaganda, aliás, uma excelente cobertura, e, por incrível que pareça, estamos nos dando muito bem.

Mesmo que seja um estranho no ninho, meus artigos continuam saindo semanalmente, sem que alguém sugira, como seria até normal, sequer a troca de uma vírgula.

Não sei se alguém os lê, mas eu, pelo menos, fico feliz ao ver meu retratinho encimando a coluna (a propósito, é o recorte de uma foto tirada na frente do Kremlin) ao lado de homens e mulheres (muitas mulheres) famosos da nossa comunicação, como Moraes de Oliveira, Flávio Paiva, Cris De Luca, Elis Radmann, Márcia Martins, Fraga, Flávio Dutra e Grazielle Araujo (espero não ter esquecido ninguém).

Hoje, estou dando uma folga o meu combate, qual um Don Quixote enfrentando moinhos de vento, em favor do socialismo, para comemorar o aniversário da Coletiva.net, mas semana que vem prometo voltar à batalha.

Autor
Formado em História pela Ufrgs, foi jornalista nos veículos Última Hora, Revista Manchete, Jornal do Comércio e TV Piratini. Como publicitário, atuou nas agências Standard, Marca, Módulo, MPM e Símbolo. Acumula ainda experiência como professor universitário na área de Comunicação, nas universidades PUC e Unisinos. É autor dos livros "Raul", "Crime na Madrugada", "De Quatro", "Tudo que Você NÃO Deve Fazer para Ganhar Dinheiro na Propaganda" e "Tudo Começou em 1964", que tem formato de ebook.

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