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Thomas Mann e o Mal

Por Luiz Octávio Vieira

Organizado e metódico, aqui na praia, onde fico de quinta a domingo, aproveito para reler o Dr. Fausto, de Thomas Mann. Livro com muitas páginas, de leitura pesada, mas longe de ser maçante. É considerado um dos maiores romances em língua alemã. Reconta o mito do Fausto, e aproveita o ensejo para criticar velada, mas acerbadamente, o regime nazista. Thomas Mann exilara-se nos Estados Unidos, onde o livro foi publicado em 1947.

Pela arte do autor, o leitor, de boa vontade, impregna-se necessariamente do Mal, de sua prevalência no mundo, do demônio e de nossas opções de escolha. O orgulho, a prepotência, a vontade de ser importante, a perda do sentido do que seja humano, pouco a pouco, contagia o músico que fez pacto com o Diabo. E o leitor penetra nesse mundo.

E então, fico pensando, não foi gratuita minha opção de releitura. Fiquei dando tratos à bola, cogitando na influência demoníaca em nossas vidas. Na banalidade do Mal, para usar a expressão surgida na época do julgamento do Adolfo Eichmann em Israel.

Fico pensando, já não mais no regime hitlerista, mas neste Brasil de hoje. Temos um presidente, criado e cevado na traição, mau, muito mau e egoísta. O juiz Moro, prova provada de que, quando o Diabo deseja que alguém se perca, o faz vaidoso e orgulhoso; o futuro juiz Moraes, de olhar ensandecido, torturador e plagiador, sem escrúpulos. Gente de má qualidade a comandarem a vida deste povo. Presos degolando presos, policiais a matarem policiais, um ente federativo chamado Espírito Santo que se tornou um inferno, o que não deixa de ser uma contradição. E cada vez mais desempregados, cada vez mais miséria. E miséria moral, sobretudo.

Caminhávamos adiante. E veio Satã, e utilizou-se daqueles dispostos a venderem a alma, e está aí o resultado.

Alemanha de 1943; Brasil de 2017.

Vendemos a alma desse País ao Capiroto, ao Coisa Ruim. Só falta um exorcista.

Luiz Octávio Vieira é médico e advogado.

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