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Sobre a gente amar o que faz

Por Rejane Brum, para Coletiva.net

Recém passa da meia-noite, hoje cheguei cedo da indiada. Chamo de indiada um dos meus prazeres: acompanhar a desmontagem de uma ação. Esta aconteceu em Novo Hamburgo – e eu moro em Porto Alegre.

Quando a gente gosta do que faz, não cansa – e ainda arranja tempo pra outras coisas: casa, filhos, pagamento de contas – pessoais e do escritório, ir ao supermercado, acompanhar o filho mais novo ao médico, acertar o pagamento da faculdade. Atender a fornecedores, fazer visita técnica (adoro!), negociar um valorzinho melhor para o cliente…

Sou publicitária por formação e trabalhei por muitos anos em agência, mas sempre com um pezinho no algo mais que a propaganda não podia fazer. Penso que a área de eventos é a cereja do bolo que uma empresa pode oferecer aos seus clientes. É assim que o contato mais pessoal surge, que o resultado é medido sob outro ângulo. E o resultado é sempre assim: maior ou menor do que a expectativa, mas sempre positivo.

É uma área que te ensina o que é resiliência, a trabalhar sob pressão (adoro também!), a ser pró ativa e que, acima de tudo, te ensina a cultivar a confiança depositada pelo teu cliente. Aliás, hoje meus clientes são quase amigos – tem alguns que atendo há mais de 10 anos! Nesta área, onde não há exclusividade, manter clientes por tanto tempo é um presente, uma recompensa.

Claro que nem tudo são flores. Em tempos bicudos, um dos primeiros cortes das empresas é na área das ações ou eventos promocionais. O cliente entende – e a gente também – que as pessoas saem de casa por razões muito mais relevantes do que antes, estão todos mais ocupados cuidando dos seus negócios, trabalhando muito mais pra ter o mesmo, ou até menos… O dinheiro está muito caro! É preciso ser mais criativo, mais interativo, oferecer mais por menos.

Eu acredito no que faço e faço com paixão. Quero ser a primeira a chegar e a última a sair. Não poucas vezes trabalhei por 24 ou 25 horas seguidas e, impressionante: sem cansar! É o prazer (ok, a adrenalina também) que me move e move quem trabalha comigo. Tenho muita sorte de ter fornecedores e parceiros que compartilham esse ‘não tem ruim’, esse ‘vamos fazer limonada’, esse ‘a gente ainda vai rir muito disso’. Sei que a minha energia contagia quem está comigo nas eventuais indiadas que o trabalho nos proporciona. E assim pretendo continuar a fazer e a aprender – sim, a gente aprende todo os dias – quero conhecer mais as pessoas e entender o que as move. Encantamento não é só uma palavra usada por uma rede de lojas. Encantar faz parte do meu ofício e penso que encanto as pessoas porque tenho este sentimento pelo meu trabalho.

E assim sigo, tentando fazer mais e melhor, sendo um poço de otimismo e (irritantemente) feliz. Tenho uma família bacana, cheia de irmãos e irmãs, sobrinhos, filhos, um trabalho que me preenche. O que posso querer mais? Tentar dormir um pouco porque amanhã cedo tenho uma reunião maravilhosa, com outro cliente que eu adoro. Que se dane o PIB, a política, as falcatruas, pelo menos por agora. Vou serelepe fazer o que eu gosto.

Rejane Brum é publicitária e diretora do Estúdio RB Eventos.

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