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Produção publicitária gaúcha III

Por Enio Lindenbaum, para Coletiva.net

Continuamos esta pequena jornada pelas beiradas desta parte pouco relatada da cadeia produtiva da comunicação áudiovisual do RS. Hoje, vou destacar o interior.

Um empresário ousado, Paulo Triches, que então comandava a Enxuta, desbrava aquele tempo e renova parte dos produtos eletrônicos voltando-se para um novo consumidor que vem surgindo (acompanhado pela Tok & Stok, revistas, etc.). 

Uma agência – quase caseira, a Studio Uno de Caxias contrata um criador de Porto Alegre considerado diferenciado pela ousadia e percepção, chamado Michele Caetano.

Surge então uma linha de comerciais baratos, eficientes e premiados. Em cima do bordão “hein? Chuta!” o ator humorístico Cassiano está em pequeno palco. Em cena, uma tevê e uma lavadora Enxuta. O texto? “Senhores políticos, lugar de lavar roupa suja não é aqui (mostra a TV) mas sim aqui, numa Enxuta onde cabem tantos quilos…!”

Michele fopi premiado como o Profissional do Ano da rede Globo.

Foram produzidos aqui, também, dois comerciais de verba significativa para o cliente Strassburger, que reuniu uma capacidade de organização  compatível com as produções da Souza Cruz, realizadas para a mesma MPM.

Produção de  simuladores náuticos com formatos funcionais, trilha supermoderna, acabamento padrão internacional, enfim, um “show”.

Tenho uma dívida de gratidão muito grande com Sérgio Gonzalez. Foi ele quem me mostrou como exercer com dignidade e coerência a boa comunicação. Ensinou-me a tratar os próximos como realmente próximos e a não perder a nossa base cultural e nossa responsabilidade não só com o cliente mas principalmente com a gente mesmo.

Voltando…o primeiro cenário escolhido foi Búzios em meados dos 90. O cliente, no caso o grande profissional e ser humano Cesar Iguatemi Pfeifer pediu, diante do risco da empreitada para conhecer o cenário e o esquema de produção em Búzios. Montamos a sua viagem e o hospedamos na mesma pousada em que ficaríamos, a Dom Quixote.

Na manhã após sua chegada me liga Pfeifer bem sério. Relata que estava diante de um café da manhã individual, completo e gostoso e para sua surpresa, ao lado da bandeja havia… um baseado fechadinho.

Assustou ao bagual de São Borja a naturalidade do “presente”. 

Depois tivemos também uma super produção para a Riocell, que foi salva pela comida.

Barra do Ribeiro, Fazenda da Barba Negra, chuva constante, diretor carioca. O humor vai caindo drasticamente. Tudo avança devagar.  Suprimentos alimentares simples.

Chama Pablo Fabian (hoje com o programa Motivo de Sobras, um achado culinário) que rapidamente monta um cardápio saudável e bem-humorado. Com mesa agregadora da equipe, o que parecia se encaminhar para um pesadelo torna-se um paraíso.

O inusitado é fator de qualidade. Ter presença de espirito, olhar liberto e coragem são fatores fundamentais.

Esta era uma época sem cursos de formação, com escolhas pela profissão que seriam efetivadas pela vivencia e pela transmissão direta.

Captar o espirito do roteiro, montar uma equipe se adeque a ele, controlar as vaidades e fazer funcionar com entrega no prazo… ufa!

Temos ainda os áudio visuais, as propagandas politicas e eventos especiais como, por exemplo, o lançamento das lãs Pinguim – linha verão. Bons tempos…

Éramos criativos, ousados e práticos. Viabilizávamos sonhos. Domávamos a emoção. E principalmente, não atrapalhávamos as fogueiras das vaidades.

Com o Francisco Borghoff, diretor da Norton e que me foi apresentado pelo mineiro mais gaúcho Lucio Pacheco, tivemos acesso ao mercado carioca e a uma visão bem pragmática do negocio da propaganda, onde todos os meios valiam para ….ganhar dinheiro.

Soma-se a isto tudo um apoio efetivo da GTMC de São Paulo ( Grupo Sales Interamericana). No mercado catarinense participamos da entrada na mídia do grupo Angeloni, da Tok Stock e do lançamento do Shopping Morumbi em São Paulo ( Camargo Correia ).

Se você tiver histórias para contar, por favor, não se acanhe.  Escreva.

Lembro muito das produções para o Pintaúde, para o Paulo Tiarajú e para o Boa Nova. Ah…teve a turma que veio do IAPI. Tivemos a Provideo, a Sete e tantas outras…bons tempos

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