Será que alguém sabe onde fica o território acima que dá nome a manchete de meu texto? Pouco provável, este nome não está na mídia e muito menos nas redes sociais. Teve menos divulgação que a terrível sequência de terremotos que a pequena e linda ilha de Porto Rico vem sofrendo há dias. Estou mencionando dois temas que tiveram pouca divulgação local e até mesmo nacional e que foram, infelizmente, sufocados pela quase-guerra entre Iraque e Estados Unidos.
Lembro bem que há alguns bons meses atrás, tivemos abaixo-assinados e muita comoção popular e de ambientalistas com o possível abate de uns 300 cervos não-nativos que estavam com tuberculose no conhecido Pampas Safari (RS) e que foram transferidos para terem um abate menos agressivo em locais pré-determinados pela justiça. Pois bem, os cervos foram abatidos, estavam doentes e esta foi a melhor solução. Triste, alguns diriam. Mas é o que temos.
Agora o que dizer sobre o planejado abate com a contratação de atiradores profissionais a bordo de helicópteros dos mais de 10.000 (isso mesmo, DEZ MIL!) camelos ou dromedários, também não nativos e trazidos por “conquistadores” árabes e indianos que estão disputando reservas de água com seres humanos (indígenas) na Austrália no território de APY?
Deveríamos nos preocupar com eles? Por que pouco escutamos sobre esse tema? Quem define o que devemos ou podemos nos preocupar? Estão muito longe? Existem temas mais polêmicos e importantes no momento? Jornalistas do papel impresso não deram a mínima? Onde estão os jornalistas do online e do mundo digital? A menina com cara de brava Greta Thunberg não está nem aí para os camelos australianos? Que se danem os camelos?
Mas aonde eu quero chegar? Quero simplesmente levantar o tema que não queremos mais ler nada. Afinal não temos tempo, nossas corridas vidas nos deixam muito impacientes e ler é perda de tempo. Por isso que os jornais tradicionais apresentaram uma queda acumulada de mais de 55% em suas tiragens nos últimos dez anos acumulados. Isso mesmo, queda livre! Ninguém mais quer ler nada. Uma verdadeira pena.
Mas por um outro lado temos a salvação e alívio com a constatação no crescimento do número de leitores no planeta on-line? Na verdade, meia verdade. Os números e o crescimento no mundo online são constatáveis, mas foram anabolizados. O que importa é que atualmente a Circulação Total seja equivalente ao número de leitores que estes grupos tinham há dez anos atrás, assim estaremos mantendo o público leitor interessado, mas com um sistema de distribuição de mídia modernizado.
Camelos australianos ou tremores em Porto Rico, temas muito importantes. Tenho familiares na ilha de Porto Rico e torço pela saúde e integridade deles. Mas em minha agenda pessoal hoje tenho como principal tema a mudança de comportamento dos leitores para que tenham mais atenção com a qualidade editorial, que pensem, que leiam mais no seu dia-a-dia e que passem menos tempos grudados na tela de seus aparelhos celulares e exercitando seus dedos nas redes sociais. Aproveitem para ler livros, para ler reportagens aprofundadas, estudem para entender tendências e para ajudar a termos um mundo melhor. Parem de reclamar que estamos lendo menos, simplesmente me ajudem a reverter esta tendência. Vamos todos ler mais e conversar mais com nossos familiares e amigos. Tenham todos uma excelente semana.
Julio Gostisa é diretor comercial da Gráfica Cromo, de Bento Gonçalves.

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