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Do alerta à escuta: seminário internacional debate Comunicação de risco em Porto Alegre

Trata-se de um evento que tem o objetivo de reunir pesquisadoras brasileiras e estrangeiras atingidos pelas enchentes de 2024

Para a decana da Famecos e coordenadora do seminário, professora Rosângela Florczak, o debate precisa ultrapassar os limites acadêmicos e dialogar diretamente com os territórios afetados. Crédito: Reprodução.

Dois anos após a maior tragédia climática da história recente do Rio Grande do Sul, Porto Alegre volta a sediar um debate internacional sobre prevenção, vulnerabilidade social e o papel da comunicação diante de eventos extremos. Desde a última terça-feira, 26, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul realiza o primeiro ‘Seminário Internacional Comunicação de Risco e Cultura do Cuidado’. Trata-se de um evento que tem o objetivo de reunir pesquisadoras brasileiras e estrangeiras, lideranças comunitárias e representantes de territórios atingidos pelas enchentes de 2024.

Com o tema ‘Inovações comunitárias para a proteção coletiva em eventos extremos’, o encontro segue até esta quinta-feira, 28, com programação distribuída entre a Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos), na PUCRS, e atividades no bairro Sarandi, uma das regiões mais impactadas pelas cheias na Capital. 

O seminário inclui conferências, oficinas, painéis, visitas técnicas, rodas de conversa, colóquio científico e ações comunitárias realizadas na Escola Municipal Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha e no Quilombo dos Machado. A iniciativa se propõe a uma reflexão sobre como a comunicação pode atuar na construção de vínculos, confiança e organização coletiva antes, durante e depois dos desastres climáticos.

A iniciativa é organizada pelo Grupo de Pesquisa Cuidar_Com, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, que desenvolve pesquisas sobre comunicação orientada pelo cuidado e práticas de escuta em contextos de crise socioambiental. O evento ocorre em um momento de atenção renovada no Estado. 

Para a decana da Famecos e coordenadora do seminário, professora Rosângela Florczak, o debate precisa ultrapassar os limites acadêmicos e dialogar diretamente com os territórios afetados. “Dois anos após a grande inundação de 2024, precisamos transformar a memória da dor em uma cultura permanente de prevenção, cuidado e proteção coletiva. Este seminário nasce dessa urgência: reunir pesquisadoras, comunidades e instituições para pensar a comunicação de risco como prática de escuta, confiança, vínculo e corresponsabilidade diante dos eventos extremos”, afirma.

Um dos diferenciais do encontro é justamente aproximar universidade e comunidade em um mesmo espaço de construção coletiva. No Quilombo dos Machado, no Sarandi, lideranças locais participam das atividades e compartilham experiências sobre organização comunitária e proteção territorial. Jamaica, liderança da comunidade, destaca a importância dessa aproximação entre pesquisa e realidade social. “Essa união é imprescindível para aprendermos a defender o nosso território. Com essa troca, conseguimos pensar juntos ações para o futuro”, diz.

O seminário também evidencia o protagonismo feminino na produção acadêmica relacionada a desastres, mudanças climáticas e vulnerabilidades sociais. Entre as convidadas internacionais está a filósofa francesa Fabienne Brugère, referência contemporânea nos estudos sobre ética do cuidado. Também participam a socióloga Norma Valêncio, reconhecida nacionalmente por suas pesquisas sobre desastres e vulnerabilidade socioambiental, além das pesquisadoras Cora Quinteros, Karla Palma, Eloisa Loose e Júlia Pontés.

Para Norma Valêncio, discutir comunicação de risco exige compreender as diferentes realidades sociais e humanas presentes nos territórios vulneráveis. “Como se pode cuidar bem se não houver bons termos de referência sobre quem é esse Outro, na sua diversidade existencial? É a complexidade dessa problemática que este evento certamente trará oportunamente à baila”, afirma.

A proposta central do seminário é ampliar a compreensão sobre comunicação de risco, tradicionalmente associada apenas à transmissão de alertas emergenciais. Segundo os organizadores, a comunicação precisa ser pensada também como ferramenta de prevenção, fortalecimento comunitário, percepção de risco e reconstrução social após os desastres.

Ao reunir ciência, experiências internacionais e saberes comunitários, o encontro reforça uma discussão que ganhou força após as enchentes de 2024: enfrentar eventos extremos exige não apenas respostas técnicas, mas também memória coletiva, participação social e construção permanente de redes de cuidado.

Serviço

Evento: 1º Seminário Internacional Comunicação de Risco e Cultura do Cuidado

Tema: Inovações comunitárias para a proteção coletiva em eventos extremos

Datas: até 28 de maio

Locais: Famecos/PUCRS, Escola Municipal Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha e Quilombo dos Machado, em Porto Alegre

Realização: Grupo de Pesquisa Cuidar_Com – PPGCOM/PUCRS

Programação: conferências, painéis, oficinas, colóquio científico, rodas de conversa, atividades de campo, visita técnica e lançamento de manifesto comunitário.

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