Esta gente que você não vê…
É redundante falar na velocidade com que as atividades tem se modificado e a dificuldade de adaptação. Uma das consequências – bem visível por sinal -, é que se criaram grupos por idade. A comunicação intergeracional ficou mais difícil e sim, os mais novos se atualizaram mais rápido do que os mais experientes. O que aconteceu pela primeira vez.
Os custos de produção se alteraram drasticamente, barateando a tecnologia e a mão de obra mais cotidiana. O acesso a equipamentos se tornou praticamente caseiro e móvel e se inseriu em uma nova economia, mais colaborativa e menos estacionária. Podemos dizer que acompanhou uma tendência de simplificação.
Por sua vez, a emoção – fator nuclear da comunicação -, também sofreu um impacto na forma e conteúdo, individualizando mais o alvo e sendo menos fantasioso. Estes e outros fatores mudaram a formação dos técnicos envolvidos na produção publicitária gaúcha. Hoje há maior exigência técnica e menos experiencial. Havia um quê de marginal, de núcleo duro na formação, que hoje parecem histórias inventadas.
Nem há coragem de falar muito dos dias atuais: me afastei e não foram muitos daqueles tempos que se adaptaram ao novos formatos de produção. A especialização também fez com que quem se dedicasse a política, especialmente no audiovisual, fosse para a produção de conteúdos para a Internet e para o cinema.
Hoje, os serviços de streaming estão ampliando suas grades. Muitos dos nossos formandos estão sendo exportados, a partir de formações no exterior também para a produção de conteúdos para as plataformas.
E curioso como a questão empreender, tão batida e mal explicada, tenha criado nesta nova geração a forma de uma nova economia. Mais grupal e espelhando o mercado de aplicativos, internet e startups.
Muitos do cinema, como Jorge Furtado, Fernando Meireles, Arnaldo Jabor , José Pedro Goulart, Werner Schunemann, Carlos Gerbase, Giba Assis Brasil. Ana Azevedo e tantos outros foram trilhando caminhos mistos. Exportamos talentos e retivemos alguns como Fiapo Barth. Tivemos perseguições políticas como a que sofreu a nossa talentosa e inquieta Mariângela Grando.
Enfim, a geração dos Verdes Anos, do Ilha das Flores, do Concerto Campestre e tantos outros, se consolidaram no mercado de cinema e publicidade. Particularmente, tivemos na Sabia parcerias que valeram a pena serem vividas como as que tivemos com Nica Ferronato, Pablo em Caxias, com Liliana Motta da Veiga, com Paulo em Criciúma e depois em Floripa. Parcerias operacionais com a Prisma, do Beto Andrade, com a RBS Vídeo, com a O2 do Paulo Morelli . com o Fernando Moraes, com a Vídeo Filmes (agradecido ao Renato Enders ), com nossas produtoras de áudio com seus músicos de primeira: Silvio Marques, Garay, Leo Henkin e tantos mais.
A produção, é feita por e de pessoas. Do motorista ao diretor. É uma orquestra. Estará sempre amarrada a um roteiro e direção. Certa vez Arnaldo Jabor pegou um roteiro proposto e sentenciou: “pequenas ideias, grandes aporrinhações”, virou bordão. Tem a do Kiko Cunha: “cada um com seus problemas”. Outros grandes frasistas eram o Bandara e o Paulo José, com destaque para o Sérgio Amom, que teatralizava as frases.
Produzir era ter uma rede confiável de relacionamentos. Abrir portas impossíveis.
Depois de anos conseguindo pinguim no verão e vivendo a grande gincana da produção, fui forçado a me retirar e assistir as mudanças acontecerem.
Aproveito para pedir a leitura do esclarecimento do Juarez Ribeiro Mendes sobre o histórico da Studio Uno, uma agência que fez a diferença. Grande profissional..
Não poderia deixar de acusar a minha velhice pelo esquecimento. Peço desculpas.
Enio Lindenbaum é publicitário.

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