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Covid-19: Entre a solidariedade e a criatividade

Por Paola Zanchi, para Coletiva.net

Em tempos de incerteza, medo e isolamento, surge a humanidade. Nos mais diversos setores, nas mais inusitadas situações. É o jovem do apartamento 202 que deixa um bilhete escrito a punho (algo raro hoje em dia), se colocando à disposição da vovó do 505. São os instrumentos musicais tocados nas sacadas, garantindo entretenimento aos vizinhos. As patroas que dispensam suas funcionárias temporariamente, mas mantêm seus salários. É a solidariedade que surge em forma de atitude, mostrando que a separação física não representa falta de interação.

Solidariedade que também está presente nas marcas. Percebemos, de forma explícita, uma união de esforços para criar novas perspectivas. Marcas que se unem em prol de uma mesma causa, como a ação articulada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) unificando as capas de diversos veículos, o McDonald’s que distribuiu aulas online e gratuita sobre segurança alimentar, higiene e desenvolvimento sustentável para apoiar outros empreendimentos que atuam no setor de alimentação, o iFood anunciando que destinará uma quantia de sua receita para um fundo de assistência a restaurantes focado nos pequenos estabelecimentos locais, etc. É sabido que os micros e pequenos negócios são essenciais para qualquer economia. Com todas as restrições de contenção determinadas, eles serão “cruelmente” afetados.

Diante de um cenário de pandemia global e diversas imposições governamentais com o intuito de evitar aglomerações e, consequentemente, a disseminação do vírus, comerciantes precisam fechar suas portas, colocando-se na linha de risco do abalo econômico que a covid-19 trará. Num momento de crise, e sem sabermos até quando essa situação irá permanecer, é natural que as marcas sejam diretamente atingidas. Algumas, com perspectivas de sobreviver no curto e médio prazos, outras estudam o possível impacto no longo prazo e formas para poder reduzi-lo.  A hora é de rever a estratégia e de ampliar outras capacidades de vendas, como o e-commerce e aplicativos de delivery que se tornam serviços essenciais.

E é aí que aparece uma oportunidade diante da crise: se a confiança e o branding forem bem trabalhados, essas empresas serão cruciais para os consumidores que antes não utilizavam seus serviços.  Entender e mapear as mudanças de hábitos dos consumidores num momento de tensão torna-se fundamental para estabelecer uma relação que poderá vir a ser de longo prazo.

O principal papel das marcas no cenário atual é o de atuar com responsabilidade social, disseminando mensagens de conscientização sobre o momento em que vivemos. Estamos reconstruindo cenários e as marcas são fundamentais para que isso ocorra. O foco agora é conectar pessoas (do ponto de vista emocional) gerando, obviamente, negócios futuros. O momento exige empatia e bom senso das marcas.

Continuaremos enfrentando momentos desafiadores, as marcas que conseguirem enxergar a crise como uma oportunidade e conseguirem se reinventar, se tornarão ainda mais relevantes. Cenários tidos como tensos favorecem a criatividade. Em tempos de transformação, sejamos disruptivos!

Paola Zanchi é publicitária e professora da ESPM-Sul.

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