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Coisas a festejar… outras a lamentar

Por Iraguassu Farias, para Coletiva.net

Opinião, é opinião. Assim, posso achar que por estas bandas, passamos muito tempo emitindo sinais não bons para quem nos vê de longe. Refiro-me a um antigo sentimento – meu, claro. De desânimo, de desencanto, de desalento com as coisas daqui. Mas estou com outras vibrações. Por causa da cidade, por causa do Estado.

Não estou mais desalentado, desencantado, desanimado. Voltei a acreditar que as coisas vão melhorar, e que nós, “gauchitos”, seremos mais positivos daqui pra frente. Não preciso enumerar as novidades que pululam por aqui e que devolvem um pouco nossa alegria.

Mas em nível nacional, o bicho pega. Nem vale a pena comentar o desânimo com o País. O desencanto, o desalento e o olhar ansioso para o calendário, louco para adiantar os ponteiros do relógio até. Muitas coisas a lamentar.

Uma delas é a derrocada do associativismo que vemos grassar na Abradi nacional. Uma associação é uma daquelas coisas que deveria centralizar interesses comuns. Do contrário, porque se reunir? Eis que um processo eleitoral tumultuado desemboca no pior dos desfechos: a criação da “Abradi do B”. Não quero fazer juízos de valor, nem tenho procuração da regional ou mesmo de próceres do mercado das agências digitais para fazê-lo. Mas insisto: o desfecho é o pior possível. 

Uma chapa vencedora não é ungida porque seu líder não provou vínculo com empresa ou negócio que o habilitasse ao certame, como reza o estatuto. Instrumento criado, penso, por muitos dos que hoje vão para a entidade-espelho.

De fato, o impugnado amealhou, se não me engano, o triplo de votos do perdedor. Mas descumpriu o estatuto. É a regra, é a lei. Dura lex…..

O perdedor tornado vencedor, que poderia ter usado o bom senso de interpretar a vontade da maioria, prefere agarrar-se à regra. E prefere “fazer-se de morto” para o resultado das urnas. Não entende que é representante de si mesmo neste momento…e de alguns poucos. Não faz a leitura de que a maioria não o quer.

E os que não o querem, na ausência de outra alternativa, saem, enfraquecem a entidade e formam outra. E agora, basta legitimar nova entidade no campo formal, e teremos a Abradi e a Abradi do B.

Vejam, não quero me alinhar a uma ou outra corrente. Quero tão somente lamentar o desfecho do processo de uma entidade representativa de agentes de um mercado relativamente novo, que deveria reunir, então, não mais do que 300, 400 associados – portanto com um orçamento não muito grande e que não deveria suscitar tamanha rebeldia de uns e tão grande falta de senso de outros.

Ah, a consultoria jurídica contratada para acompanhar todo o processo, diz-se, peremptoriamente reconhece o não cumprimento da regra estatutária, mas sabiamente faz uma leitura pacificadora de realizarem novas eleições. O perdedor declarou o outro perdedor, e o vencedor não venceu.

E agora uma entidade vai ficar minguada, com o “pincel na mão”, e outra nasce, bastante representativa. Uma terá mais recursos que outra e esta outra terá, além da certeza de não representar a classe, falta de recursos que saíram pelas desistências de associados. Tem gente boa envolvida. Vitória de Pirro, certamente. Venço, mas não levo. Perco, mas não entrego. Bem, se até a nossa Constituição é estuprada com chicanas para a compra de votos, porque uma entidade como a Abradi não teria uma treta pra chamar de sua? 

Ainda bem que, por estas bandas, as notícias têm sido boas, positivas. Como por exemplo, a 50ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Ou o Parque da Orla. Ou a vitória do Inter amanhã, hehehehehehe.

Iraguassu Farias é diretor Comercial em Coletiva.net.

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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