
A prevenção da violência de gênero passa, antes de tudo, pela forma como a sociedade se comunica. Esse foi o ponto central do painel ‘Comunicação que Protege: Narrativas, Comportamento e a Prevenção da Violência de Gênero’, realizado às 14h no Women’s Boat by Lojas Renner S.A., durante o South Summit Brasil 2026, em Porto Alegre.
A proposta do encontro foi provocar uma reflexão sobre como linguagem, cultura organizacional, mídia e posicionamento institucional influenciam comportamentos e ajudam, ou não, a construir ambientes mais seguros. A discussão reuniu a anfitriã, Renata Altenfelder, diretora de Marketing da Lojas Renner S.A.; e as convidadas Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e conselheira do Pacto Global da ONU e Grazi Mendes, head de Diversidade, Equidade e Inclusão para as Américas na ThoughtWorks.
Comunicação é educação
Na abertura, Renata destacou o propósito da presença da companhia no evento e a continuidade da agenda iniciada em edições anteriores. Segundo ela, o espaço busca ampliar o debate sobre liderança, negócios e cultura com recorte de gênero. “A gente acredita no papel que temos, como empresa e como comunicação, na construção dessas narrativas. O que colocamos na rua não é só propaganda, educa, forma opinião e influencia comportamentos”, afirmou.
A executiva também ressaltou que a violência de gênero não é um fenômeno isolado, mas estrutural, e que se manifesta em diferentes níveis, inclusive na Comunicação. “Ela não nasce só de grandes eventos, nasce de atos individuais no dia a dia, dentro de casa, no trabalho e até em peças publicitárias. É por isso que precisamos usar a comunicação para mudar essas estruturas e criar novas narrativas, onde a equidade esteja no centro”, ressaltou.
Trilha feminina
O compromisso da empresa com o tema também se reflete em iniciativas internas. Renata citou programas de apoio à colaboradoras, com suporte psicológico e social, e reforçou a responsabilidade corporativa em trazer o debate para espaços públicos e estratégicos como o South Summit.
Segurança das mulheres
Ao ampliar a discussão para o campo cultural, Grazi Mendes abordou o papel da imaginação coletiva na construção de futuros mais seguros. Para ela, pensar o futuro é também um exercício político. “O futuro das mulheres será tão bom quanto a nossa capacidade de imaginá-lo e a coragem de construí-lo coletivamente. Se não há futuro seguro para as mulheres, não há futuro para ninguém”, comentou.
A executiva também chamou atenção para o impacto da tecnologia e dos algoritmos na amplificação de discursos de ódio e violência, destacando a necessidade de responsabilidade no uso dessas ferramentas. “Cultura não é natural, é construída. E, se foi construída, pode ser reconstruída de outra forma”, pontuou.
Já Ana Fontes trouxe a perspectiva das violências cotidianas e simbólicas, muitas vezes naturalizadas, especialmente no ambiente digital. “Os ataques que recebo raramente são sobre ideias, mas sobre aparência. Isso também é violência. Precisamos ser intolerantes com essas chamadas ‘microviolências’, porque elas sustentam estruturas maiores”, disse.
A fundadora da Rede Mulher Empreendedora também destacou o papel histórico da comunicação na perpetuação de estereótipos e sua evolução recente. “Já foi comum ver campanhas, como as de cerveja, que objetificavam mulheres. Hoje isso diminuiu, e isso é avanço. Precisamos reconhecer essas mudanças e seguir pressionando por mais”, destacou.
Ao longo do painel, ficou evidente o consenso entre as participantes de que a Comunicação não é apenas um reflexo da sociedade, mas um agente ativo de transformação. Mais do que informar, ela tem o poder de redefinir padrões, questionar comportamentos e contribuir diretamente para a prevenção da violência de gênero.
O time de jornalistas de Coletiva.net acompanha direto do Cais Mauá o South Summit Brazil – edição brasileira de um dos maiores eventos internacionais de Inovação e Tecnologia. Realizado de 25 a 27 de março, em Porto Alegre, esta é a quinta edição do evento em solo gaúcho. Neste ano, mais uma vez como media partner, são produzidas matérias e entrevistas para o portal, envio de newsletters especiais, drops em Coletiva.rádio, repercussão e materiais exclusivos para as redes sociais. A cobertura conta com o apoio da PUCRS/Famecos e do Grupo RBS.


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