Uma pesquisa nacional sobre hábitos de consumo de informação revela um cenário de desconfiança crescente na imprensa profissional. Segundo o levantamento, quase metade dos brasileiros (48%) diz desconfiar sempre ou na maioria das vezes das informações produzidas por veículos jornalísticos. Em contrapartida, conteúdos recebidos de amigos e familiares em redes sociais e aplicativos de mensagem inspiram confiança em 39% dos entrevistados.
Os dados fazem parte do estudo TIC Domicílios 2025, conduzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), com execução do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). A pesquisa ouviu presencialmente 25.520 pessoas com 10 anos ou mais em todas as regiões do país.
Apesar da desconfiança, a imprensa segue relevante como fonte de informação. Entre os entrevistados, 60% afirmam se informar sobre o que acontece no mundo por meio de aplicativos de mensagem, enquanto 52% utilizam feeds de vídeos curtos, como o TikTok. Já os sites e aplicativos de notícias aparecem com 50%, superando meios tradicionais como televisão (45%), rádio (28%) e jornais impressos (11%).
O levantamento também mostra que apenas 36% dos usuários dizem checar sempre a veracidade de informações recebidas em redes sociais e aplicativos de mensagem. Outros 28% verificam na maioria das vezes, enquanto 34% admitem que raramente ou nunca fazem esse tipo de checagem.
Frequência de acesso à informação
Para a coordenadora do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, Renata Mieli, os resultados acendem um alerta sobre a qualidade do debate público. “Há um impacto direto na construção da opinião pública quando as pessoas passam a confiar mais em conteúdos que circulam fora do ambiente profissional do jornalismo, muitas vezes sem qualquer checagem ou critério editorial”, avalia.
A pesquisa indica ainda diferenças importantes por classe social. Entre os brasileiros das classes A e B, 58% afirmam verificar informações antes de compartilhá-las. Já nas classes C e DE, esse índice cai para 33% e 26%, respectivamente.
Outro dado relevante diz respeito à frequência de acesso à informação. O estudo aponta que 66% dos brasileiros acessam notícias várias vezes ao dia por meio de aplicativos de mensagem, seguidos por feeds de vídeos curtos (60%) e redes sociais (54%). Telejornais (27%) e portais de notícias (25%) aparecem na sequência.
O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa também começa a ganhar espaço: 47% dos entrevistados dizem já ter utilizado algum tipo de IA, com destaque para o ChatGPT (42%) e o Gemini (30%).
Veracidade das informações
Mesmo com o alto consumo de informação, a percepção sobre a qualidade do conteúdo é crítica. Para 65% dos entrevistados, o volume de notícias é excessivo e muitas vezes negativo, gerando sensação de saturação. Além disso, 45% afirmam acompanhar pouco ou nenhum conteúdo jornalístico de forma aprofundada.
Entre os que não checam a veracidade das informações, 34% dizem não ver necessidade, por acreditarem que o conteúdo recebido já é confiável. Outros 30% afirmam não saber como verificar, e 36% apontam a falta de hábito como principal motivo. Os dados reforçam o desafio enfrentado pela imprensa em um ambiente informacional cada vez mais fragmentado e dominado por plataformas digitais, onde a confiança do público se desloca para círculos pessoais e conteúdos informais.


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