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Nem aí para o tal do inferno astral

Vocês realmente pensaram que eu não iria falar nestes dias que antecedem a minha mudança de idade e que é conhecido como inferno astral? Que esta geminiana que vos escreve não utilizaria alguma coluna para relatar que vive a tal fase que abrange os 30 dias anteriores à data do aniversário? Um período em que, diz a crença astrológica, tudo de ruim pode acontecer para a pessoa que em breve somará um novo ano de vida. E em que todos os fatos conspiram contra o aniversariante. E que todas as energias negativas se deslocam, sem convite nenhum, para a rotina de quem logo deverá fazer aniversário.

Pois eu jamais deixaria de tratar sobre o terrível inferno astral. Eu não posso ignorar este assunto. Sim, a colunista mais antiga do Coletiva (o que significa, vejam bem, a que tem mais tempo de permanência no portal, e não a mais velha), sempre encontra um jeitinho de lembrar aos caros leitores e leitoras a sua data de aniversário. Simplesmente porque é uma geminiana, sabe-se lá que mistura astrológica de lua, sol, ascendente e descendente produziram tal efeito, que adora ser paparicada no seu aniversário.

E uma forma nada sutil é abordar o tal do inferno astral. Em que até focinho de porco parece tomada. Em que todas as encrencas da terra podem ocorrer. Em que todas as situações embaraçosas costumam acontecer. Pois o meu inferno (30 dias antes do meu aniversário) termina no dia 8 de junho. Isto quer dizer que eu faço aniversário (fico um ano mais experiente) no dia 9 de junho. Não se esqueçam, por favor. Sou uma geminiana do segundo decanato que valoriza muito a conexão sentimental, a emoção recebida, os afetos trocados. Por isso, quer ser lembrada.

Mas preciso ser muito sincera com quem me dá o prazer da leitura semanal. Estou seriamente inclinada a não acreditar mais em inferno astral. Sim. Logo eu. Fã das previsões astrológicas. Que creio em fadas, duendes, anjos e simpatias. Que tenho uma coleção de budas exposta numa prateleira. Que acendo incensos. Pois então. Porque já é o segundo ano que o tal inferno astral nem chega perto de mim. Nem dá as caras. Nem me perturba. Ainda pode ocorrer uma virada (faltam alguns dias para o aniversário). Mas tenho fé. Nem aí para o tal do inferno astral.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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