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As redes e as eleições

Nas mais recentes eleições, as redes sociais se consolidaram como um dos principais vetores de influência política no Brasil. É incrível e inegável a força das Hashtags, dos feeds e dos stories, que hoje substituem, com folga, os comícios e os programas eleitorais tradicionais.

E não há dúvidas de que em 2026 não será diferente. Aliás, já há bastante tempo não vem sendo. Afinal, a polarização política no Brasil tem feito com que a próxima eleição inicie-se tão logo seja declarado o resultado da anterior. Isso se não houver atos e atitudes antimocráticos de quem não aceita derrotas. Então, durante os últimos três anos e meio, as redes sociais provocaram e ainda provocam influência no próximo pleito.    

Neste cenário, o jornalismo digital tem desempenhado um papel extremamente importante. Mas vejam bem: importante não significa que esteja sendo correto. É bem verdade que há muitos canais e profissionais desempenhando um trabalho sério, em respeito ao seu público e à própria sociedade.

Porém, infelizmente, isso não vale para todos. Há veículos com alcance nacional e milhões de seguidores fazendo exatamente o contrário do que sempre se teve como base de um bom jornalismo. São canais que, na hipótese menos grave, baseiam-se no número de cliques e na possibilidade de conquistar novos seguidores para pautar suas publicações.

Sei que, por vezes, tenho batido numa mesma tecla. Mas não há como silenciar quando se vê a prática de uma profissão tão importante e necessária ser, por vezes, deturpada. É fácil perceber que princípios como a busca pela verdade e precisão, verificação rigorosa, foco no interesse público, objetividade e independência muitas vezes têm sido desprezados. Mais vale publicar uma manifestação de um político que atraia cliques, mesmo que o conteúdo seja fakes News, do que uma informação que realmente contribua com o debate democrático, bem apurada e com contrapontos.

Autor

Renato Dornelles

Jornalista, escritor, roteirista, produtor, sócio-diretor da editora/produtora Falange Produções, é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) (1986), com especialização em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá (2021). No Jornalismo, durante 33 anos atuou como repórter, editor e colunista, tendo recebido cerca de 40 prêmios. No Audiovisual, nos últimos 10 anos atuou em funções de codireção, roteiro e produção. Codirigiu e roteirizou os premiados documentários em longa-metragem ‘Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil’ e ‘Olha Pra Elas’, e as séries de TV documentais ‘Retratos do Cárcere’ e ‘Violadas e Segregadas’. Na Literatura, é autor dos livros ‘Falange Gaúcha’, ‘A Cor da Esperança’ e, em parceria com Tatiana Sager, ‘Paz nas Prisões, Guerra nas Ruas’. E-mail para contato: [email protected]
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