Nas mais recentes eleições, as redes sociais se consolidaram como um dos principais vetores de influência política no Brasil. É incrível e inegável a força das Hashtags, dos feeds e dos stories, que hoje substituem, com folga, os comícios e os programas eleitorais tradicionais.
E não há dúvidas de que em 2026 não será diferente. Aliás, já há bastante tempo não vem sendo. Afinal, a polarização política no Brasil tem feito com que a próxima eleição inicie-se tão logo seja declarado o resultado da anterior. Isso se não houver atos e atitudes antimocráticos de quem não aceita derrotas. Então, durante os últimos três anos e meio, as redes sociais provocaram e ainda provocam influência no próximo pleito.
Neste cenário, o jornalismo digital tem desempenhado um papel extremamente importante. Mas vejam bem: importante não significa que esteja sendo correto. É bem verdade que há muitos canais e profissionais desempenhando um trabalho sério, em respeito ao seu público e à própria sociedade.
Porém, infelizmente, isso não vale para todos. Há veículos com alcance nacional e milhões de seguidores fazendo exatamente o contrário do que sempre se teve como base de um bom jornalismo. São canais que, na hipótese menos grave, baseiam-se no número de cliques e na possibilidade de conquistar novos seguidores para pautar suas publicações.
Sei que, por vezes, tenho batido numa mesma tecla. Mas não há como silenciar quando se vê a prática de uma profissão tão importante e necessária ser, por vezes, deturpada. É fácil perceber que princípios como a busca pela verdade e precisão, verificação rigorosa, foco no interesse público, objetividade e independência muitas vezes têm sido desprezados. Mais vale publicar uma manifestação de um político que atraia cliques, mesmo que o conteúdo seja fakes News, do que uma informação que realmente contribua com o debate democrático, bem apurada e com contrapontos.

