1. Quem é você, de onde vem e o que faz?
Chamo-me Antônio Costaguta, mais conhecido como El Topador. Nasci em Santana do Livramento, na fronteira seca do Brasil com o Uruguai – um território que moldou profundamente minha visão de mundo, minha relação com a cultura e com o fogo como elemento de encontro
Atualmente atuo como CEO do Grupo El Topador, um ecossistema de projetos ligados à Comunicação, cultura, gastronomia e entretenimento. Também trabalho como apresentador na RBS TV, influenciador, produtor cultural, palestrante e idealizador de diferentes iniciativas voltadas à valorização da identidade cultural do Sul do Brasil.
Ao longo dos últimos anos, venho construindo uma plataforma que conecta churrasco, tradição, música, turismo, Audiovisual e experiências culturais, sempre buscando transformar elementos da nossa cultura em linguagem contemporânea e acessível para diferentes públicos.
2. Dentro do ambiente da Comunicação, como surgiu a escolha pelo universo gastronômico?
A aproximação com o universo gastronômico surgiu de forma muito estratégica. Em
meados de 2014 e 2015, trabalhando como publicitário, percebi que existia um território ainda pouco explorado dentro da Comunicação no Sul do Brasil: o churrasco como plataforma de conteúdo, entretenimento e identidade cultural.
O churrasco sempre esteve presente na nossa cultura, mas ainda não havia uma marca que enxergasse esse universo de maneira mais ampla. Criando um ecossistema capaz de unir Audiovisual, eventos, experiências, educação e produção cultural.
Foi nesse contexto que nasceu o El Topador. A ideia sempre foi construir uma marca-mãe capaz de conectar diferentes iniciativas através do fogo como linguagem universal de encontro. Hoje, o grupo reúne programas de televisão, webséries, projetos incentivados, cursos, eventos, palestras, consultorias e produções culturais que dialogam diretamente com esse território.
3. No início do ano foi realizada as gravações da terceira temporada da websérie ‘Desbravando’. Quais foram os maiores aprendizados nesse período?
A terceira temporada de ‘Desbravando’ foi uma experiência extremamente transformadora. Passamos cerca de dez dias costeando o Rio Uruguai em um projeto realizado através da Lei Rouanet, mergulhando em diferentes cidades, comunidades e expressões culturais do interior gaúcho.
O maior aprendizado foi perceber a dimensão e a pluralidade cultural do Rio Grande do Sul. Muitas vezes existe uma ideia homogênea sobre o Estado, mas cada região possui hábitos, sotaques, referências gastronômicas, musicais e tradições muito particulares.
Ao longo das gravações, foi muito interessante observar como cidades como Porto Xavier, São Borja, Itaqui e Uruguaiana compartilham elementos em comum por conta da presença do Rio Uruguai, mas ao mesmo tempo preservam identidades muito próprias.
Outro ponto marcante foi a conexão com a água como elemento central da narrativa. Dentro do universo do El Topador, o fogo sempre teve protagonismo, mas durante essa jornada entendemos também a força simbólica e cultural do rio para essas populações. Foi uma experiência de escuta, troca e aprendizado humano muito intensa.
4. O que mais lhe chamou a atenção durante as gravações?
O que mais chamou atenção foi compreender o Rio Uruguai como verdadeiro eixo de formação dessas cidades. O rio não aparece apenas como paisagem: ele é sustento, lazer, inspiração, memória e identidade para milhares de pessoas que vivem ao seu redor.
Em muitos lugares, a relação da comunidade com o rio atravessa gerações e molda diretamente de hábitos culturais, econômicos e afetivos. Foi impossível não perceber a importância desse elemento para a construção da vida nessas regiões.
Ao mesmo tempo, também chamou atenção de forma negativa o abandono de patrimônios históricos importantes. Encontramos prédios, monumentos e estruturas com enorme valor simbólico e cultural sem o devido cuidado ou preservação, tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Isso provoca uma reflexão importante sobre memória, pertencimento e valorização cultural.
5. Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Nos próximos cinco anos, o principal objetivo é consolidar um crescimento sustentável, coletivo e orgânico do Grupo El Topador. Hoje trabalhamos com mais de doze projetos autorais, e a intenção é seguir ampliando esse ecossistema cultural e criativo conectado ao fogo, ao churrasco e ao entretenimento.
Mais do que expandir marcas ou produtos, queremos fortalecer conexões entre cultura, turismo, gastronomia, audiovisual e geração de negócios. Acredito muito no potencial da cultura como ferramenta de transformação social e econômica.
O Rio Grande do Sul possui uma identidade cultural extremamente forte, e vejo espaço para transformar essa riqueza em desenvolvimento, movimentação econômica, geração de emprego, fortalecimento do turismo e criação de oportunidades para diferentes cadeias produtivas. O propósito do El Topador sempre foi esse: usar a Comunicação e a cultura para aproximar pessoas, preservar tradições e criar possibilidades de futuro a partir da nossa própria identidade.


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