Instituto Tony Blair apresenta framework de IA para proteção de florestas no GovTech

Consultor da entidade defende que tecnologia deve fortalecer a capacidade dos governos de agir em escala

André Oliveira, advisor do Tony Blair Institute for Global Change, foi o primeiro palestrante do Gov Tech. - Crédito: Coletiva.net

André Oliveira, consultor do Tony Blair Institute for Global Change, apresentou no GovTech Summit 2026 um painel sobre o uso da inteligência artificial como ferramenta para enfrentar a crise climática. O ponto de partida de sua fala foi uma ressalva: a tecnologia não é solucionismo. Para ele, é um meio de fortalecer a capacidade dos governos de agir em escala, especialmente diante de problemas complexos, recursos escassos e populações extensas. Para o Instituto, que atua em mais de 40 países, o maior desafio dos governantes não é planejar, mas entregar, e é aí que a tecnologia entra como alavanca.

Oliveira apresentou o framework, estrutura predefinida que reúne diretrizes, práticas e ferramentas para facilitar a execução de tarefas ou a gestão de processos, chamado ‘Árvore Digital’, desenvolvido pelo Instituto em apoio à presidência da COP30, com foco em florestas. A metáfora visual organiza os componentes tecnológicos em camadas: as raízes representam a infraestrutura de dados, conectividade, capacidade de processamento, governança e interoperabilidade, sem a qual nenhuma tecnologia terá impacto transformador. O tronco abriga as ferramentas de coleta de dados no território, como equipamentos distribuídos por áreas florestais. Já os galhos simbolizam a expansão da capacidade analítica proporcionada pela IA.

Os casos de uso concreto ficaram na “copa” da árvore. No contexto de desmatamento, o consultor citou quatro funções da IA. A primeira é o monitoramento em tempo real, que permite intervenção antes que o dano se alastre. A segunda é a análise diagnóstica, que cruza dados históricos para identificar fatores de risco, como a correlação entre construção de estradas e episódios de desmate. Em terceiro vem a análise preditiva, que mapeia áreas com maior probabilidade de desmatamento futuro. E, por fim, otimização de resposta a emergências. Nesse último caso, mencionou a plataforma da empresa Gran Main, que simula a propagação de incêndios florestais em tempo real e ajuda autoridades a priorizar recursos durante o combate ao fogo.

O painel também abordou o mapeamento realizado pelo Instituto, que identificou mais de 300 soluções tecnológicas ao redor do mundo, voltadas para florestas e agricultura – incluindo iniciativas brasileiras como MapBiomas e AgroGrami. Oliveira destacou que o Brasil ocupa posição relevante nesse ecossistema, mas que o sucesso de qualquer solução depende de três fatores: alinhamento com o problema real a ser resolvido, viabilidade econômica e adesão das populações que vão utilizá-la, o que exige tanto convencimento quanto capacitação.

Fortalecendo raízes 

“A mensagem central do painel é: sem fortalecer as raízes, governança de dados, conectividade e infraestrutura computacional, qualquer implementação de IA resultará apenas em casos pontuais, sem efeito estrutural.” Oliveira encerrou ressaltando a urgência da pauta para o Brasil, que vivenciou tragédias climáticas recentes no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, e convocou governos a adotar uma visão holística e colaborativa da tecnologia aplicada ao meio ambiente, integrando também povos indígenas e comunidades tradicionais como guardiões da biodiversidade.


Com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.

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