O Grêmio atendeu a uma solicitação da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (Aceg), que era feita desde o ano passado: reservar a sala de entrevistas coletivas apenas para a imprensa devidamente credenciada e representantes do clube. Além disso, o time também disponibilizou jogadores e dirigentes para entrevistas na zona mista, tanto na saída de campo quanto no momento de saída da Arena. Rogério Amaral, presidente da entidade, parabenizou a ação.
Em conversa com a equipe de reportagem de Coletiva.net, Rogério contou que essa era uma solicitação que vinha sendo pedida desde 2023 e que a diretoria gremista tentava atender, mas que esse ano concluíram o projeto. Para o dirigente, é muito importante que as salas de coletiva sejam acessadas apenas por jornalistas credenciados e membros da comissão do time, pois antes os torcedores acabavam se manifestando durante as entrevistas e, em alguns episódios, chegaram a intimidar e ameaçar repórteres.
“Quando o torcedor se manisfestava na entrevista coletiva, muitas vezes o representante do clube acabava se sentindo mais à vontade para dar respostas ácidas e irônicas. Fazia isso pois sabia que tinha plateia”, afirmou. De acordo com Rogério, quando a coletiva é exclusiva para os profissionais de imprensa, ela passa mais credibilidade e propicia um ambiente mais profissional.
Rogério disse ainda que a associação também gostaria que os outros clubes tomassem a mesma medida, para evitar novos episódios problemáticos. “Nos times do interior a situação não é tão séria, mas seria importante somente jornalistas credenciados e membros da comissão terem acesso”, explicou.
Outro ponto que o presidente elogiou, foi que os jogadores do Grêmio deram entrevista aos repórteres na Zona Mista, assim que saíram do campo no final da partida contra o São José, pela segunda rodada do Gaúchão, quanto na hora de sair do estádio. “É uma valorização da mídia, pois depois que o atleta, ou membro da equipe técnica sai do vestiário para ir embora, não há a obrigação de dar entrevista, e todos falaram, sem a necessidade do clube designar quem falaria com quem.” Rogério explicou que uma das solicitações à Federação foi a criação da zona mista para depois do campo e antes do vestiário, pois na maioria dos estádios ela fica depois, e que muitas vezes por isso, muitos jogadores não conversam com a imprensa.
Casos
O pedido da gestão à frente da Aceg foi motivado, em especial, por dois acontecimentos durante entrevistas de profissionais do clube, registrados no ano passado. O primeiro caso envolveu o jornalista Matheus D’ávila, do canal de YouTube A Dupla, e o ex-vice-presidente de futebol do Grêmio Paulo Caleffi, que contestou o comunicador, gerando atrito durante a coletiva de imprensa após a partida entre Grêmio e América. O dirigente afirmou que não responderia às perguntas do comunicador e que isso serviria de lição. Ao terminar de falar, Caleffi recebeu aplausos de torcedores, conselheiros e membros da direção do clube que estavam presentes. Na ocasião, os jornalistas chegaram a ser ofendidos e atacados pelo grupo.
Outro ocorrido envolvendo profissionais do clube e comunicadores, foi na entrevista pós-jogo de Grêmio e Bahia, na Arena, em que o técnico Renato Portaluppi chamou Cesar Cidade Dias, da rádio Gaúcha, entre outras coisas, de “recalcado”. Além dele, mais um acontecimento que chamou atenção foi durante o primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil de 2023, disputado entre Grêmio e Flamengo, quando um novo ataque a jornalistas foi registrado, desta vez, protagonizado por torcedores. Na ocasião, os repórteres Gustavo Berton, da ESPN Brasil, e João Batista Filho, na época do Grupo Bandeirantes, foram hostilizados e constrangidos por gremistas em um dos elevadores da Arena, que é utilizado tanto por comunicadores que precisam chegar às cabines de imprensa, quanto por torcedores que ocupavam a arquibancada abaixo do local.
Confira a nota da Aceg na íntegra:
A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG) agradece à diretoria do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, por ter atendido nossa solicitação de reservar a Sala de Entrevistas Coletivas apenas para a imprensa devidamente credenciada e representantes do clube.
Assim como, a disponibilização de jogadores e dirigentes para entrevistas na Zona Mista, tanto na saída de campo, quanto no momento de se retirarem da Arena, reconhecendo e valorizando o trabalho dos repórteres ali presentes.
Ao reiteramos nossos agradecimentos, esperamos que esse procedimento seja mantido e tal possa ser adotado nos demais estádios no Campeonato Gaúcho.
Rogério Amaral
Presidente

