O ano começou trazendo dois desafios inéditos na carreira da jornalista Mauri Dorneles: ser a primeira mulher setorista de futebol do Correio do Povo, bem como atuar na cobertura do Grêmio – um dos clubes rebaixados do Campeonato Brasileiro no ano passado. Procurada pela reportagem de Coletiva.net, a profissional relatou que o convite para integrar a equipe do jornal chegou de forma inesperada, por meio da indicação de amigos para a vaga.
A jornalista reconheceu o peso de ser a primeira mulher setorista de futebol de um jornal centenário: “Carrego uma responsabilidade grande, de continuar o legado das profissionais que estiveram aqui antes e abriram as portas para mim”, explicou. Ela também compreendeu a seriedade necessária para acompanhar o Tricolor ao longo deste ano. “Como imprensa, precisamos continuar fiscalizando, cobrando, trazendo todas as partes dos fatos e da informação para o torcedor, que num momento difícil precisa ainda mais disso”, ponderou.
Formada pela PUCRS, Mauri já teve passagens pelas editorias de esporte da Band e RBS TV como repórter. Mais recentemente, atuou na rádio Grenal e na RDC TV, emissora que deixou após o convite do jornal.
Confira, na íntegra, a conversa com a jornalista:
1 – Como foi o convite para entrar para o Correio do Povo?
Foi inesperado, eu estava feliz na RDC TV, quando amigos do Jornalismo me chamaram para contar que haviam me indicado para essa vaga do Correio do Povo. Foi então que o Carlos Correa, editor de Esportes, chamou-me falando sobre a proposta e me convidando para ir até o jornal. Na ocasião, conversei com ele e com o Amauri Knevitz, também editor.
Então, quando eles foram mencionando como seria a vaga, e o fato de estarem procurando uma mulher, e que, se eu aceitasse, seria a primeira setorista de futebol da história centenária do jornal, isso pesou muito pra mim, até mesmo mais que uma proposta financeira. É uma responsabilidade muito grande, então resolvi aceitar, tanto por mim, quanto para todas as outras mulheres.
2 – Como tem sido o trabalho? E com a volta do Gauchão, quais são as expectativas?
O ambiente do jornal é muito legal e muito tranquilo, então não tenho problemas para exercer meu trabalho. Algumas dificuldades são no dia a dia, mas não posso reclamar. Desde que cheguei tenho feito boas matérias, com bastante conteúdo e tenho boa relação com o clube e com acesso às demais fontes. Com a volta do Gauchão a expectativa é por tudo que o Estadual traz, o contato também com outros times do interior, a volta a uma rotina, e aos jogos, que são a parte mais importante do futebol.
3 – Qual é o desafio de cobrir o Grêmio em 2022?
É sempre um desafio enorme estar perto de gigantes como a dupla GreNal, neste caso, com o Grêmio na série B, a gente precisa ter ainda mais responsabilidade com a informação, porque é uma situação mais delicada a que vive o clube. Quando comecei no Jornalismo Esportivo, em 2017, foi com o Grêmio que tive as primeiras oportunidades de participar de grandes coberturas, ainda quando era estagiária da Band. Então, estar perto do Tricolor é algo que me traz boas memórias, sem esquecer que o momento é diferente.
Como imprensa, precisamos continuar fiscalizando, cobrando, trazendo todas as partes dos fatos e da informação para o torcedor, que em um momento difícil precisa ainda mais disso. E o clube também, porque o Jornalismo é uma forma de aproximar o torcedor. Então, em meio a tudo isso, ajudar na missão de todos: que o clube volte para a série A. Nenhum jornalista gosta de derrota, isso nos prejudica também, queremos sempre ver os clubes que trabalhamos bem para termos oportunidades maiores.
4 – O que significa para você ser a primeira mulher setorista de futebol do jornal? O que você acredita que pode significar para outras mulheres?
É um peso enorme, tenho 25 anos, comecei com 19 no meio esportivo. De lá pra cá, muita coisa mudou e evoluiu. Já tivemos um cenário muito favorável, cheio de mulheres na imprensa, depois deu uma baixada, e agora estamos voltando a ocupar esses espaços. Pelo menos é a minha visão do que vivi nos últimos anos.
Sempre pude estar na ativa, então, é um privilégio enorme. Carrego uma responsabilidade grande, de continuar o legado das mulheres que estiveram aqui antes e abriram as portas para mim. Quero estabelecer que, a partir da minha existência à frente da notícia, o caminho continue aberto para todas nós.
Acredito que significa, principalmente, para as gurias mais novas, que podemos e devemos estar na linha de frente sim. Todos que atuam por trás da notícia são importantes, e que podemos ter espaço tanto nos bastidores, quanto na frente do jornal ou microfone.


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