
A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) promoveu, durante o último mês, uma série de sabatinas com os candidatos ao governo do Estado. Todos os 10 postulantes entrevistados firmaram compromisso com a imprensa, por meio da assinatura de um termo em conjunto com a entidade. O portal Coletiva.net, que encaminhou representantes a todos os painéis, faz um balanço sobre as entrevistas.
O presidente da ARI, José Nunes, agradeceu aos jornalistas e veículos que participaram da iniciativa e declarou como positivo o trabalho da Associação. “Os encontros atingiram o propósito de levar, não só à categoria, mas a toda a sociedade o pensamento dos candidatos em questões voltadas à Comunicação, mas também em estratégias que podem mudar o cenário do Rio Grande do Sul nos próximos quatro anos”, declarou.
Em ordem, os sabatinados foram: Ricardo Jobim (Novo), Vieira da Cunha (PDT), Vicente Bogo (PSB), Rejane de Oliveira (PSTU), Luiz Carlos Heinze (PP), Edegar Pretto (PT), Carlos Messala (PCB), Onyx Lorenzoni (PL), Eduardo Leite (PSDB) e Roberto Argenta (PSC). Em comum, todos assinaram o ‘Termo de Compromisso com a Transparência e Liberdade de Informação’. O documento proposto pela ARI pede ,em cinco tópicos, que o futuro governante respeite a liberdade de manifestação de pensamento, criação e expressão de informações e garanta o uso republicano de verbas públicas destinadas à publicidade e divulgação de conteúdos de interesse à população. Também, que permita o acesso livre de jornalistas às informações de interesse público e preste contas periódicas ao público por meio de entrevistas e comunicados à imprensa. Além de concordar com a ampla divulgação do compromisso firmado para que cidadãos possam acompanhar o seu cumprimento.
Conforme Nunes, a assinatura do documento foi um marco para a imprensa gaúcha. O presidente da entidade ainda informou que todos os acordos assinados já foram registrados em cartório. “A ARI estará atenta não somente ao proposto no termo, mas sim que o próximo governador cumpra o papel de gestor para todos os gaúchos”, finalizou.
Comunicação em pauta
A equipe de Jornalismo do Coletiva.net, então, preparou uma série de questionamentos a serem feitos aos candidatos. Entre as questões, os postulantes ao Piratini responderam como combater as fake news. O primeiro sabatinado, Jobim, definindo-se como um defensor da liberdade, se comprometeu com o aparelhamento da Polícia Civil para identificar a origem das notícias falsas, e ainda pontuou: “Fake news é covardia”. Já Bogo opinou que o tema é de difícil solução, mas disse que uma alternativa, se possível, seria trazer o assunto para a esfera estadual, a partir de uma revisão do Marco Legal da Internet (Lei 12.965). Onyx, ao responder a pergunta ponderou, e disse que há “excessos de todos os lados”, e que “não dá bola” quando é vítima de notícias falsas. No entanto, ele afirmou que buscará continuar sua relação com os jornalistas como “faço há 30 anos, com compromisso com a verdade e respeitando a liberdade de imprensa”.
Outro ponto levantado pela equipe do portal foi em relação à gestão da TVE e da FM Cultura, duas emissoras estatais que estão sob o poder da Secretaria Estadual da Comunicação, desde a extinção da Fundação Piratini. Rejane se colocou contra uma possível privatização dos veículos, que deveriam ser controlados por seus trabalhadores e servir à população. Pretto disse ser contra o fechamento da instituição e afirma que não houve economia no movimento, que resultou em servidores exonerados e outros realocados de forma desorganizada. Já Heinze, por outro lado, disse não estar a par do assunto, mas prometeu “examinar o tema e dar uma posição sobre isso”.
Com a adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal, uma das consequências é a indisponibilidade do Estado em investir em ações publicitárias que não falem sobre Saúde, Educação e Segurança. Por outro lado, o governo é um dos principais investidores do setor. Perguntado sobre esta questão, o candidato Vieira da Cunha se colocou como favorável à alocação de verbas públicas em Publicidade. “Este é mais um de tantos problemas deste acordo que considero atentatório aos interesses do Estado. Por isso, aumenta a minha convicção quanto a sua desconstituição”, respondeu. Messala se comprometeu a não cumprir o acordo e disse que acredita que, “dentro do processo de rompimento do acordo, podemos continuar anunciando”.
Os investimentos na área de Inovação também foram pauta do portal. Leite respondeu que é necessário que o governo trabalhe na qualificação de mão de obra, além de criar condições para fazer do mercado gaúcho atrativo. Argenta, por outro lado, disse que era preciso evidenciar a Indústria do Estado e que o setor é de grande importância.

