Presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech acredita que o Brasil está na “encruzilhada” do debate sobre o combate à desinformação espalhada na internet e a valorização do Jornalismo. “Temos a oportunidade de ser o grande protagonista nesse processo”, afirma. A declaração foi dada na última semana, no ‘1º Seminário sobre os desafios e ações na era digital’, promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e pela Associação Internacional de Radiodifusão (AIR).
Conforme o jornalista gaúcho, a solução para o problema passa por um pacto mundial e autorregulado contra a desinformação, liderado pelas Nações Unidas (ONU). O acordo seria feito nos moldes do enfrentamento do aquecimento global para restabelecer a valorização da verdade. O ponto central, pondera, está na consideração e no reconhecimento do Jornalismo por meio da remuneração da atividade jornalística pelas grandes empresas de tecnologia.
Rech ainda afirmou que a popularização da internet trouxe como efeito colateral a explosão de inverdades que, por sua vez, avança facilitada pela fragilização do ecossistema jornalístico – resultado do modelo de negócios das big techs e de campanhas que desacreditam o Jornalismo profissional. De acordo com o jornalista, esse processo traz uma série de malefícios: crescimento do extremismo; riscos à democracia e à estabilidade econômica e geopolítica mundial; erosão da vida harmônica em sociedade e até mesmo familiar; e o surgimento dos desertos de notícias.
Pacto mundial
Ao detalhar a sugestão de um pacto global, Rech defende que as plataformas devem assumir responsabilidade direta sobre os conteúdos pagos, que devem ter total transparência. Além disso, essas companhias, que “produzem indesejada poluição social”, devem financiar o ecossistema jornalístico como antídoto à desinformação. “Quem tem a técnica e a capacidade de limpar essa poluição social é o Jornalismo profissional, e essa tarefa tem um custo relevante, que deve ser, em grande parte, bancado pelos poluidores”, pontua.

