De acordo com o novo relatório medidor de liberdade de imprensa no mundo, produzido pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Brasil subiu 18 lugares, indo da 110ª posição, registrada na edição do ano passado, à 92ª. A mudança, segundo a entidade, resulta da saída de Jair Bolsonaro (PL) da presidência da República. A instituição defende que o ex-mandatário “atacou sistematicamente jornalistas e veículos de Comunicação”.
Segundo o jornalista e diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, Artur Romeu, a colocação brasileira se relaciona a uma expectativa e a uma percepção de otimismo por parte de analistas, jornalistas e pesquisadores ouvidos para a sondagem, desde a vitória do presidente Luiz Inácio Lula Lula (PT) na última eleição. As informações incluem dados de, pelo menos, até março deste ano, e o estudo é publicado anualmente no Dia da Liberdade de Imprensa, 3 de maio.
Romeu afirma que a subida de 18 posições do País no ranking é “a mais importante de um país no continente americano e uma das mais significativas em nível global”. Ele explica que a pesquisa exprime otimismo no que tange ao possível retorno à regularidade no convívio entre o governo e a imprensa. O diretor da RSF ainda delibera que, durante os quatro anos da presidência anterior, as relações foram prejudicadas por uma gestão “hostil”, na maioria das vezes, ao Jornalismo.
Hostilidade
O jornalista ressalta, todavia, que a ascensão no ranqueamento não significa, necessariamente, que houve uma melhora já consolidada no País. “É um otimismo em relação às mudanças possíveis, que precisa ser confirmado pelas atitudes das lideranças”, declara.
Romeu ainda adverte que, considerando o levantamento da brutalidade contra jornalistas entre janeiro e dezembro do ano passado, o País se encontraria na 149ª posição, pois foi cenário de uma série de violências. Ele cita como exemplo o homicídio do blogueiro cearense Givaldo Pereira, em fevereiro, e os assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do naturalista brasileiro Bruno Pereira, em junho.
“Tivemos também as ameaças feitas pelas pessoas em frente a quartéis militares”, lembra o diretor da RSF. Ele também recorda que o então governo federal incitou ódio à mídia, o que fez sua base ver, na imprensa, um inimigo. “O cenário de hostilidade era diário”, comenta.
Pensando no futuro
Para que o País continue a evoluir no ranking, a RSF ajuíza que há obstáculos significativos. “O Brasil é historicamente violento para jornalistas. Se considerarmos os últimos 10 anos, o Brasil só está atrás do México em número de jornalistas assassinados”, aponta Romeu. Ele diz que, para que continue a melhorar, é necessária a reafirmação de marcos legais, assegurar a transparência pública e combater a desinformação.

