Para descobrir se a inteligência artificial ChatGPT reconhece o dialeto gaúcho, a Preply, plataforma de ensino de idiomas, realizou um levantamento. Foram perguntados à própria ferramenta o significado de 50 termos utilizados no Estado. Como resultado, foi averiguado que 74% dos jargões eram conhecidos pelo chat. O estudo regional é derivado de uma pesquisa nacional, que pode ser conferida no link.
Para o levantamento foram compiladas, a partir de dicionários populares e fóruns digitais, as expressões utilizadas no teste. Ao ser perguntado, o ChatGPT apontou o “bah” como a principal gíria típica dos gaúchos. Além disso, ainda deu exemplos e afirmou que a palavra pode expressar diferentes sentimentos, como incredulidade, irritação, indiferença e concordância. O robô salientou ainda que a interjeição pode variar de acordo com o contexto, o tom de voz e a entonação que cada pessoa dá.
Apesar de ter conhecimento sobre 74% dos termos, incluindo outros clássicos gaudérios como o “tri”, o “tchê”, e o dito popular “caiu os butiá do bolso”, além do “lagartear”, a inteligência artificial não conseguiu dar o significado de 22% das expressões. Os outros 4% de palavras perguntadas tiveram como retorno definições aproximadas, mas não totalmente corretas.
Durante o teste, ainda foi solicitado que o ChatGPT utilizasse os vocábulos gaúchos como se fosse uma pessoa nascida na cultura da região. A ferramenta, então, abordou assuntos como o frio do inverno no Rio Grande do Sul e fez um convite para “matear e prosear um pouco”. Por fim, ainda perguntou qual era a melhor erva e se não havia alguma dica para preparar um bom chimarrão.
Erros
Embora tenha conseguido dar significado à maioria dos verbetes e simular uma conversa, a inteligência artificial ainda é passível de errar, como a própria demonstrou durante o teste com um aviso. “É importante ressaltar que eu não tenho acesso direto à internet ou a fontes específicas durante a nossa conversa. Todas as respostas que eu forneço são baseadas no meu treinamento prévio e na compreensão do contexto da conversa”, explica a ferramenta.
Para Yolanda Del Peso, especialista em Outreach (Divulgação, na tradução livre ao portugês) da Preply, o estudo parece decifrar os dois tipos de gírias que suscitam imprecisões no ChatGPT: aqueles que requerem um contexto mais profundo ou as expressões derivadas de palavras formais do português, às quais a população acaba atribuindo novos sentidos no cotidiano. “Isso nos ajuda a pensar até onde a tecnologia é capaz de ir, bem como certas nuances da linguagem que ela ainda não alcança, e nem tão cedo será capaz”, pontua.

