As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que os gaúchos não estão satisfeitos com a “forma de como os serviços públicos são prestados” e a “forma como a política é conduzida” e está insatisfação é ampliada com as denúncias constantes de corrupção.
A indignação da população é percebida nos mais variados campos das relações sociais, transcendendo o mundo da política. O eleitor indignado é o mesmo consumidor que se sente ultrajado. O consumidor ultrajado é o mesmo cidadão desrespeitado, o mesmo cidadão desrespeitado é o mesmo chefe de família frustrado. A sociedade conclama por mudança e pelo fim do jeitinho brasileiro nas relações sociais.
Os sociólogos e cientistas políticos do IPO tem se dedicado a compreender o significado da palavra “mudança” e compreender se o debate da mudança está associado à “troca de governante” ou à “forma de gestão”.
A maioria do eleitorado que reprova os políticos ou que participa de manifestações está preocupada “com a forma de administrar”, no “cuidado com as questões básicas”, sendo que 55% afirmam que o que deveria mudar é “a maneira de governar/ agilidade na prestação de serviços”.
O significado da mudança para maioria está associado à melhoria de serviços públicos (saúde, educação, segurança) e ao fim da corrupção e impunidade. Para os eleitores a corrupção e a impunidade tornam os serviços públicos em um problema sistêmico, pelo desvio de recursos. Segundo os eleitores a mudança da forma de administrar precisa “ter como meta os serviços públicos e como inimigo a corrupção”.
Os gaúchos são favoráveis as manifestações populares, sendo que mais de 70% dos gaúchos consideram importantes as manifestações e defendem que “as pessoas devem ir para as ruas” e o maior motivador das manifestações está associado ao combate à corrupção e a impunidade, fomentando um sentimento de “moralidade”. Sendo que 64% dos gaúchos acreditam que a corrupção no Brasil é antiga e independe dos partidos que estão no poder.
Os mesmos gaúchos que declaram apoiar as manifestações populares afirmam, em sua maioria, não ter interesse de participar de manifestações pelo receio de violência, depredações ou pela apropriação indevida das manifestações por partidos políticos.
A maioria dos gaúchos não se omite de declarar a sua insatisfação nas pesquisas de opinião e registrar “que como está não dá para ficar”. A população demonstra rejeição aos políticos, ao sistema político e a forma de como os políticos vem administrando. E esta insatisfação deve ser observada sob a ótica da falta de confiança, sendo que a confiança nos agentes políticos e no sistema é um elemento essencial para a base da democracia e das relações sociais.
