Após anos dos estertores do neoliberalismo, e há vinte anos que surgiram os programas mais à esquerda, Dilma Roussef, com seu programa “Brasil Maior”, deu uma guinada para o dirigismo estatal, com um pacote de R$ 25 bilhões de incentivos ao setor industrial. O pacote reduz os impostos para têxteis, calçados, móveis, software e veículos automotores. Afirma-se que ela decidiu sozinha (?) frente à “insanidade” do mercado internacional, que minguaram nossas exportações e baratearam os importados. (Esquece-se que é a elevada taxa de juros que atrai os investidores internacionais, valorizando o Real.)
Foram medidas de salvaguarda, não atacando as falhas estruturais . Vejamos alguns itens:
– Intervenção no mercado de derivativos cambiais;
– Limitação do fluxo de dólar por meio de imposto sobre investimentos feitos no exterior;
– O governo passou a intervir ainda mais nos preços dos combustíveis;
– A política monetária mudou, além de gradualista, considera que no combate à inflação a taxa de juros pode ser alternada por meios administrativos de controle de crédito; mesmo assim, nossa taxa de juros é altíssima, comparando-se com o 1% ou 2% das economias desenvolvidas;
– A taxa básica de juros do BNDES, em termos reais é zero, para grandes empresas;
– Não há programa explicitado a longo prazo para conduzir a dívida pública e a meta de inflação a níveis decentes;
– Finalmente, o pacote de R$ 25 bilhões.
Como disse o jornalista Vinicius Torres Freire, se ela decidiu sozinha não terá a quem culpar do fracasso. Um fracasso que pode ser começado com a GM, que deu férias coletivas a 300 empregados. O anuncio do IPI não foi suficiente. E a Petrobrás admitiu a possibilidade de a estatal não conseguir buscar no mercado os US$ 91 bilhões que precisará para se financiar nos próximos anos.
Resta talvez a pergunta contundente do Financial Times: “Quem irá desmamar o empresariado brasileiro?”

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