“Como reiterado em diversas ocasiões, a participação do BNDESPar nesta transação sempre se baseou na suposição um acordo entre todas as partes envolvidas.”
Com esta frase, o BNDES justificou a retirada do aporte de R$ 4,1 bilhões para a concretização da fusão Pão de Açúcar e Carrefour, arquitetada pelo empresário Abílio Diniz que, juntamente com o grupo francês Casino, controla o Pão de Açúcar. O Casino não avalizou o negócio, alegando que prejudicaria seus acionistas, dando chance à retirada estratégia do banco, cuja prometida participação estava sendo muito contestada por vários setores da sociedade.
Com empréstimos três vezes maiores que os do Banco Mundial, o BNDES teve suporte, nos últimos anos da gestão Lula, para apostar numa nova raça de “campeões nacionais”. Dali surgiram a Brasil Foods e a JBS, respectivamente maiores exportadoras de carne de aves e carne bovina do mundo. Os financiamentos entre 2007 e 2010 dobraram para R$ 365 bilhões.
Para os críticos, o acordo Pão de Açúcar-Carrefour representava apenas uma fusão no varejo, tocada pelo bilionário Abílio Diniz. Outros, mesmo ministros, viam a possibilidade de colocar produtos brasileiros no exterior.
O saldo de toda esta pendenga é este: apesar de pessoas familiarizadas com o banco alegarem que o negócio não afetou as práticas usuais, a partir de agora o governo será mais ouvido. Dilma inclusive já pensa em reduzir os empréstimos este ano para controlar a inflação.

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