Depois de um bom período em que imprensa, organismos e técnicos internacionais falavam bem do Brasil, o panorama começou a mudar. E a base é o afluxo de investidores estrangeiros que podem provocar uma bolha. Ou seja, todos correm para o que pode ser um excelente negócio, até que a demanda cai, e tudo vira um castelo de cartas. Senão, vejamos:
1. Christine Lagarde, diretora- geral do FMI, teme a bolha com o excessivo fluxo de capitais: “Importante é a questão do fluxo de capitais e, como resultado, as dúvidas e suspeitas dos investidores que este fluxo vise algumas áreas que não queiram ou não estejam preparadas para eles, ou que temam seus efeitos na economia. A combinação destas duas coisas é minha maior preocupação”.
2. “Guerra cambial mantém a tendência de valorização do real, a maior em 12 anos” foi a manchete da edição européia do Financial Times do dia 6 passado. A matéria salienta que os altos juros do mercado brasileiro, de 12,25%, atraem investidores barrados pela taxa de juros próxima a zero das economias adiantadas.
Trata-se do fluxo de capitais de Lagarde. Escreve o Financial: “Logo o governo deve procurar soluções de longo prazo, como reforma da previdência social e os altos salários dos funcionários públicos, parados há quatro anos no Congresso.
“Poucas economias estão crescendo de forma tão forte como a do Brasil devido à alta de commodities, particularmente minério de ferro, açúcar e café”, noticia o jornal. Mas é perigoso debruçar-se sobre as commodities, mercado que pode se tornar instável, com “todos os ovos na mesma cesta”. De outra parte, a valorização do real prejudica a venda de manufaturados.
Um estudo da PUC-Rio, citado pelo jornal, demonstra que o Brasil deve investir pelo menos 23% do PIB para sustentar uma taxa de crescimento de 5%, mas está em 16% do PIB. O País precisa de capital externo para financiar a diferença de investimento, mas o afluxo de investimentos estrangeiros traz a séria desvantagem da valorização do real. “A menos que Rousseff possa promover reformas fiscais improváveis, o real deverá valorizar ainda mais”, registra o Financial.
E a Capital Economics, prestigiosa consultoria britânica, escreve: “A vulnerabilidade da economia brasileira advém de dois fatores, a força do fluxo de capitais para o País e o aumento rápido do crédito para o consumo interno”.
Por tudo a analista Amil Rajpal, gerente do portfólio de investimento Marshall Wace, avalia que estas eventuais bolhas devem estourar em 2013, levando a economia a uma desaceleração. Resta aguardar para ver…

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial