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O turismo do horror

Cerca de três milhões de pessoas visitam anualmente os campos de concentração construídos pelos nazistas na Alemanha e na Polônia. “Eu estou vivo, não …

Cerca de três milhões de pessoas visitam anualmente os campos de concentração construídos pelos nazistas na Alemanha e na Polônia. “Eu estou vivo, não estou num forno crematório” é a imagem feita por John Kilkegaard, catedrático em sociologia na Universidade de Glasgow, Escócia. Este é o endereço mais procurado pelos novos turistas, os “turistas do horror”. Mas outros se sucedem, como Iraque, Afeganistão, República Democrática do Congo, Somália, Burundi, Costa do Marfim e interior do Paquistão.

Os lugares mais populares combinam uma noção de História com apenas “estar vivo, graças a Deus”, como os campos da morte do Camboja ou o local do 11 de setembro em Nova Iorque. Frederic Ngoga Gateretse, analista da iJjet Intelligent Risk Systems, em Washington, diz que certos turistas mais ricos “estão procurando dar sentido às suas vidas”, voando para destinos como Darfur ou Ruanda, para observar a dureza em campos de refugiados em primeira mão.

Novo foco para as agências

O lado sinistro do turismo  tornou-se um novo foco para operadoras de viagens e para as faculdades de lazer e turismo. Os especialistas dizem que os turistas mais radicais buscam o perigo deliberadamente, com ou sem guarda-costas. Por uma tarifa, algumas empresas de segurança acompanham seus movimentos eletronicamente, por satélite. “coisas repulsivas são inerentemente interessantes. A capacidade de fazer mal tem um forte apelo e há um verdadeiro apetite em tocar a morte”, diz J. John Lennon, diretor do Centro de Viagens e Turismo da Universidade de Endimburgo.

Uma explicação para este tipo de turismo é a onipresença movida pela mídia pela cultura da violência. Um psicólogo de Londres, Paul  Throne, diz: “É para dar realidade à visão. Você viu imagens na televisão, no jornal, precisa de uma confirmação da realidade- ver a coisa de verdade. Você quer participar, e não apenas observar”.

Os enforcamentos de Londres

O sinistro não é tão novo assim. Grandes multidões se reuniam no século XV para ver os enforcamentos públicos em  Haigheit e Marble Arch, onde eles aconteceram mais recentemente, com palavras de estímulo ao carrasco e ofensas ao condenado. Em uma grande fase criativa, o famoso John Lennon (assassinado na frente do edifício onde morava) deixou o legado de “Imagine”. O piano onde foi composta a canção percorre o mundo numa turnê de paz, para contrabalançar o turismo de horror.

Mas, em compensação, no início do ano o piano do compositor George Michael veio para o Teatro Ford, em Washington, onde Abrahan Lincoln foi assassinado pelo ator John Boot. Antes esteve diante da Penitenciária Estadual do Texas durante uma execução. Pianistas contratados encarregam-se de tocar peças, notadamente “A marcha fúnebre”, composta no século XVIII.

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Iara rech

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