Cerca de três milhões de pessoas visitam anualmente os campos de concentração construídos pelos nazistas na Alemanha e na Polônia. “Eu estou vivo, não estou num forno crematório” é a imagem feita por John Kilkegaard, catedrático em sociologia na Universidade de Glasgow, Escócia. Este é o endereço mais procurado pelos novos turistas, os “turistas do horror”. Mas outros se sucedem, como Iraque, Afeganistão, República Democrática do Congo, Somália, Burundi, Costa do Marfim e interior do Paquistão.
Os lugares mais populares combinam uma noção de História com apenas “estar vivo, graças a Deus”, como os campos da morte do Camboja ou o local do 11 de setembro
Novo foco para as agências
O lado sinistro do turismo tornou-se um novo foco para operadoras de viagens e para as faculdades de lazer e turismo. Os especialistas dizem que os turistas mais radicais buscam o perigo deliberadamente, com ou sem guarda-costas. Por uma tarifa, algumas empresas de segurança acompanham seus movimentos eletronicamente, por satélite. “coisas repulsivas são inerentemente interessantes. A capacidade de fazer mal tem um forte apelo e há um verdadeiro apetite em tocar a morte”, diz J. John Lennon, diretor do Centro de Viagens e Turismo da Universidade de Endimburgo.
Uma explicação para este tipo de turismo é a onipresença movida pela mídia pela cultura da violência. Um psicólogo de Londres, Paul Throne, diz: “É para dar realidade à visão. Você viu imagens na televisão, no jornal, precisa de uma confirmação da realidade- ver a coisa de verdade. Você quer participar, e não apenas observar”.
Os enforcamentos de Londres
O sinistro não é tão novo assim. Grandes multidões se reuniam no século XV para ver os enforcamentos públicos em Haigheit e Marble Arch, onde eles aconteceram mais recentemente, com palavras de estímulo ao carrasco e ofensas ao condenado. Em uma grande fase criativa, o famoso John Lennon (assassinado na frente do edifício onde morava) deixou o legado de “Imagine”. O piano onde foi composta a canção percorre o mundo numa turnê de paz, para contrabalançar o turismo de horror.
Mas, em compensação, no início do ano o piano do compositor George Michael veio para o Teatro Ford, em Washington, onde Abrahan Lincoln foi assassinado pelo ator John Boot. Antes esteve diante da Penitenciária Estadual do Texas durante uma execução. Pianistas contratados encarregam-se de tocar peças, notadamente “A marcha fúnebre”, composta no século XVIII.


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