De nada vale um rosto bem barbeado se não houver vergonha na cara

Por Paulo Tiaraju, para Coletiva.net

O comercial da Gillette, de grande visibilidade internacional, é a cara da propaganda moderna, oca e previsível. A propaganda xôxa, a que passa longe das ideias originais.

As novas gerações de criativos perderam a viagem das grandes e verdadeiras ideias criativas que fizeram história em Cannes, a exemplo da propaganda brasileira. A meninada não tem noção do que se trata.

Óbvio, a marca Gillete representa um produto utilizado por várias gerações de homens. Ao confrontar atitudes grosseiras e machista, o comercial de cinco minutos (para quem é do ramo, sabe que é um longa) exibe uma coleção de cenas em que os homens se comportam no papel de covardes, grosseiros,  predadores sexuais, e praticam assédio moral quando são criança. Em contraponto, cenas de homens adultos se contrapondo àquelas atitudes.

Como produto historicamente de uso masculino, a decisão de fazer uma campanha internacional em oposição ao machismo foi perfeita. No entanto, o fato da campanha não ter uma ideia pensada para sensibilizar e comover (uma sacada convincente) resta o que já foi dito: um empilhamento de cenas.

A Gillete tem história e magnitude. Podia ter chamado para si o protagonismo em oposição ao macho doentio e truculento, ao lançar mão do próprio produto: de nada vale um rosto bem barbeado se não houver vergonha na cara, por exemplo.

Paulo Tiaraju é publicitário e artista plástico.

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