Que ano senhores. Que ano...

Por Iraguassu Farias, para Coletiva.net

Teve de tudo em 2018. Prisão de gente grande, eleições estranhas, economia parada, Copa do Mundo perdida, os testes nucleares do baixinho de olhos puxados. Malditamente, morreu Mariele. Mas morreu também o Zé, a Maria. Uns de fome, outras assassinadas pelo marido. Morreu africano tentando chegar na costa europeia. E continua morrendo árabe na Síria, onde todo mundo mete o nariz, e na Palestina, onde pedras não param morteiros.

Nós, cá nos trópicos, vamos comemorando o fim deste 2018 de gosto amargo, porque nos assombra o futuro sob o tacão de coturnos e estrelas nos ombros, traduzido rasteiramente na família boquirrota. Que se vá de uma vez. E só uma coisa alivia: definiu-se a condução do País, pois estava insuportável ver quem comanda, fazer de conta que manda (ou que não rouba). 

Mas eu nem queria falar das coisas ruins, porque não se deve acabar um ano assim, e os que, como eu, já lograram alguns anos neste plano, sabem que é sempre assim: está uma droga, mas esperamos que no ano que vem melhore.

Brasileiros são esperançosos. Vivem na corda bamba (de sombrinha), mas não desistem. E não devem mesmo, pois o amanhã pode esconder coisas boas, e não importa que me digam que estou na bolha, porque é preciso ir em frente.

Não estou no pé de goiabeira, mas antevejo um ano bom. Penso em muitas brigas, muitas rusgas, muito estardalhaço, mas creio, acima de tudo, que os agentes econômicos deste País já amadureceram o suficiente pra buscar sobrevivência apesar do Estado, mesmo porque já viveram no fundo do poço e pior do que está não pode ficar (muitos dizem isto, além de mim). Traduzindo: quem sobrou, quem chegou até aqui, sabe como tem de ser daqui pra frente. Espera-se...

O que não pode faltar no ano que vem? Bom humor, fundamentalmente. Muito trabalho, certamente. Capacidade de se revigorar e aprender a viver por si mesmo (no plano da economia, viveremos tempos terríveis), independentemente de governos, e otimismo, muito otimismo.

Em 2019, não tem eleição e não tem Copa do Mundo, e só por isto já dá pra dizer que poderá ser um ano melhor. Desde que não nos atrapalhem.

Então, vamos cuidar bem disto daí, talquei?

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