A importância da saúde mental no contexto social e corporativo

Por Jéssica Lazuta, para o Coletiva.net

O assunto mais comentado do momento são os reality shows, competições que envolvem vida real de anônimos e famosos e análises na internet. O meio digital é o grande mentor de opiniões, julgamentos e cancelamentos. Adentramos em uma breve discussão, em mundo democrático, onde a rede social dá voz para milhões de pessoas e mediante um cenário de pandemia com uma crise de saúde mundial, essa cultura se torna extensiva e cruel. Cabe a reflexão e a relação sobre um tema amplo, de extrema importância e presente em toda essa realidade, a saúde mental. As pessoas tendem a buscá-la sem se dar conta de sua relevância e entendimento profundo sobre o que se trata. 

Partimos do pressuposto de que a saúde mental é uma área complexa do conhecimento, não se restringindo apenas à psicopatologia ou à semiologia e não pode ser reduzida ao estudo e tratamento das doenças mentais. Além da psiquiatria, a complexa rede de saberes da temática da saúde mental apresenta a psicologia, a psicanálise, a fisiologia, a filosofia, a sociologia, etc. Na visão do sociólogo e filólogo, Zygmunt Bauman, é possível discorrer sobre a vida líquido-moderna e os medos, obra do autor. Bauman relaciona a ideia com a sociedade aberta no mundo contemporâneo que vivemos, fazendo referência ao cenário incerto e com a esperança de dias mais equilibrados. 

Relacionando a visão sobre a saúde mental e a vida líquido-moderna, encontramos no mercado corporativo empresas gigantes e mundiais apostando na saúde mental dos colaboradores como reinvenção de modelos tradicionais e aposta no diverso. Este é o caso da AmBev, que anunciou no final de 2020 uma diretora para coordenar o departamento de saúde mental dentro da companhia. 

Novamente, instigamos o pensamento, com a desvalorização das políticas públicas responsáveis pela saúde mental no Brasil, a ameaça à privatização de alguns setores do SUS (Sistema Único de Saúde) e a intimidação às instituições de ensino públicas, como o encerramento de cursos das áreas humanas e sociais, de quem seria a responsabilidade pela saúde mental? O Brasil se vê cada vez mais dependente da frente pessoal e privada para valorização da saúde mental.  Ou seja, cabe a cada indivíduo ter responsabilidade sobre si e o próximo, formando uma forma de empatia coletiva. 

Entendendo tais relações, entramos na reflexão final que esse relato se propõe a instigar, independente do nível social ou hierárquico, a saúde mental precisa ter um papel de destaque na sociedade e, consequentemente, nas organizações. Vivemos uma era sombria, onde uma doença até então desconhecida, nos trouxe a necessidade do afastamento físico e um novo formato de se viver. Diante disso e analisando tais reality shows, como exemplo de comportamento pessoal e coletivo, percebe-se a importância da valorização e do cuidado com a saúde mental. A inteligência corporativa já está mostrando formas de reverenciar nas pessoas o potencial inclusivo como proposta para o sucesso. Ser inclusivo não está em alta, mas é essencial para o amanhã das organizações. Essa responsabilidade social não é só empática, mas se faz extremamente necessária para termos um futuro liberto, empático e diverso. Sim, o diverso é o futuro. 

Jéssica Lazuta é publicitária e estudante de psicologia.

 

REFERÊNCIAS:

AMARANTE, Paulo. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.

BAUMAN, Zygmunt. Tempos líquidos. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.

https://exame.com/carreira/a-aposta-da-ambev-para-o-futuro-a-nova-diretora-de-saude-mental/

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