Ame ou odeie, experimente o ClubHouse

Por Wayner Bechelli, para Coletiva.net

Este poderia ser mais um artigo enaltecendo a grande sacada de Paul Davidson e Rohan Seth, engenheiro e cientista da computação que juntos entenderam uma das grandes tendências da transformação digital e tangibilizaram isso em uma rede social que utiliza apenas a trocas de áudios em grupo como serviço. 

Talvez você concorde ao ler que mesmo de forma exclusiva (pois funciona somente em iPhones) os números impressionam, pois ultrapassaram o TikTok em buscas no Google e apenas um ano depois do lançamento, já conta com aproximadamente seis milhões de usuários. E mesmo assim, se isso não for o suficiente, digamos que a cifra de um bilhão de dólares possa chamar a atenção como valor de mercado. Aliás, o Facebook já está criando a sua versão. Então não se surpreenda caso o Whatsapp comece a ter salas exclusivamente de voz abertas ao mundo.

Como as pessoas vêm reagindo a essa nova tendência? 

Sabemos que o ClubHouse é de graça, mas que nosso tempo é bem precioso. Então, com tantas redes indispensáveis participando de nossas vidas, fica mais difícil abrir mão do pouco espaço que ainda temos para mais uma. Com a chegada do ClubHouse percebi que muitas pessoas entraram em profundo FOMO. Como ficar de fora? Mas como conseguir participar de tudo com zero tempo disponível? O que fazer? FOMO e consequentemente ódio pela rede social. 

Muitas reclamações (verdadeiras) surgem a partir daí, pois para conseguir participar é necessário dedicação. É necessário "minutagem" até pegar as trilhas de discussões. Percebe-se que muitos estão tentando monetizar desde já, criando salas sobre marketing digital, chamando celebridades e influenciadores para participar. Muita gente perdida, zoando, falando de BBB. Ou seja, uma selva de possibilidades. E, então, lá se foi o tempo precioso em vão.

Enxergo com outro viés e talvez eu seja um público ClubHouse. Confesso que nunca fui um fã de podcast, mas me pego ouvindo rádio com frequência. Uso o Twitter quando algo impactante acontece no mundo. O Linkedin quando busco profissionais para contatos e novidades relacionadas ao mercado. Encontrei ali a mesma lógica, onde assuntos do momento estão sendo discutidos entre meros mortais, grandes profissionais, celebridades e pessoas de influência. Você pode participar disso tudo seja quem for! O podcast é incrível, mas passivo de interação. Ali encontrei algo vivo, que ao mesmo tempo que consome e te exige, trás conexões e entretenimento.

Respeito muito as diversas opiniões, que também fazem sentido. Ninguém sabe como será o amanhã dessa tendência, mas talvez aí esteja a grande sacada dessa nova rede social, que como muitas coisas na vida, amando ou odiando em algum momento você deve experimentar.

Vamos continuar esse papo por lá? Me chama: @waynermb.

Wayner Bechelli é publicitário e sócio-fundador do Black Sheep Project

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