Não é uma homenagem

Por Renata Schenkel, para ARP e Coletiva.net

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Este artigo integra uma parceria de Coletiva.net com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP) em uma semana toda dedicada a artigos assinados por mulheres que integram a diretoria da entidade. 

O que falta para as mulheres terem os mesmos salários que os homens e ocuparem mais cargos de liderança? Espaço. Claro que as posições precisam ser conquistadas por mérito, e isso não é problema para elas, mas o espaço precisa ser criado, e na infância ele tem a forma de estímulo.

O projeto The Dream Gap, da marca Barbie, por exemplo, provoca homens e mulheres a fechar a lacuna entre as meninas e seus sonhos. Um dos dados trazidos pelo movimento é que famílias presenteiam mais os meninos com brinquedos desafiadores. Por esse e outros fatores, na média, eles crescem mais encorajados, curiosos e competitivos do que elas.

Na vida adulta, soma-se aos desafios delas o machismo estrutural. São comuns frases como: "a reunião está florida hoje", "ela é muito sensível com o time", "ela foi agressiva, deve estar na TPM". Não somos bibelôs, cuidamos das pessoas porque elas garantem o sucesso dos negócios, e sabemos ser assertivas. Lidem com isso.

Além das colocações que desmerecem e constrangem, situações repetidas fizeram surgir os termos manterrupting (quando homem interrompe a fala de uma mulher muitas vezes, a ponto de ela não conseguir concluir seu raciocínio), o mansplaining (situação em que um homem começa a explicar algo para uma mulher sem necessidade, subestimando sua capacidade de compreensão) ou bropriating (quando um homem toma para si o crédito de ideia pensada por uma mulher). O espaço que clamo é, enfim, a oportunidade para que elas sejam ouvidas e reconhecidas simplesmente pelo que sabem e fazem.

Quem sabe os dados convençam melhor? De acordo com estudo da Consultoria MCKinsey, as empresas que contam com mulheres na liderança têm 21% a mais de chances de terem um desempenho acima da média; e segundo o Peterson Institute, companhias que aumentaram a presença de mulheres em até 30% em cargos de alta hierarquia viram, em média, um crescimento de 15% em sua rentabilidade. 

Por isso, não queremos flores, nem bombons, nem cestas no Dia da Mulher. Só nos deem espaço.

Renata Schenkel é vice-presidente de Relacionamento com o Mercado da Associação Riograndense de Propaganda (ARP) e diretora de Operações, Mídia e Planejamento da Escala.

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