Ouvir é preciso

Por Fabiano Martins de Medeiros, para Coletiva.net

Fabiano Martins de Medeiros - Arquivo pessoal

Comunicar-se bem com a sociedade é decisivo para o sucesso de qualquer empresa, seja qual for seu setor de atuação. Mas não basta somente esse tipo de comunicação. Um negócio bem-sucedido precisa, também, ter uma comunicação interna que funcione. E isso exige, acima de tudo, que sejamos bons ouvintes. É um processo fundamental para manter o alinhamento entre os colaboradores, gerar engajamento, fortalecer o discurso e alinhar as principais causas de uma companhia. 

Estamos falando de cultura. E, nesse contexto, não há nada mais poderoso do que o diálogo quando se busca engajar as equipes e melhorar, de fato, uma empresa. Isso faz ainda mais sentido quando estamos falando de uma organização com colaboradores espalhados por diversas cidades de um estado ou mesmo de um país. 

É o caso da Ecosul, que tem como responsabilidade a administração de mais de 450 quilômetros de rodovias nas BRs 116 e 392. Isso significa que temos profissionais atuando em municípios como Pelotas, Rio Grande, Santana da Boa Vista, Camaquã e Jaguarão, entre outros. Mas como gerar uma proximidade entre quem, obrigatoriamente, precisa trabalhar à distância de seus pares? 

Ao lado das demais ferramentas de comunicação, promovemos conversas periódicas com os times de todas as áreas da empresa. É o que chamamos de "Café com o Diretor". E pude comprovar a partir dessa experiência: o contato com os colaboradores - cara a cara - faz toda a diferença. Nesses bate-papos, que são sempre leves e descontraídos, aprendo muito. 

E a razão para isso é simples: eu converso com quem trabalha dentro da cabine de pedágio, com quem roda diariamente pelas rodovias e com quem atende nossos usuários quando eles mais precisam dos nossos serviços. A visão desses desses trabalhadores é diferente da minha e, para muitos assuntos, melhor. É impressionante a quantidade de ideias e aprendizados que tenho a partir dessas reuniões, extraindo informações valiosíssimas para a tomada de decisões. 

Um dos grandes projetos recentes da nossa concessionária teve origem justamente a partir de um processo de comunicação interna que envolveu as mulheres. Por meio de uma pesquisa, identificamos diversas questões importantes. Uma delas foi o incômodo com o assédio que muitas delas sofrem nas cabines de pedágio por parte de alguns motoristas. Daí surgiu a campanha "Assédio, Pare!", que foi difundida em toda a sociedade. E, graças a essa iniciativa, conseguimos reduzir consideravelmente esses casos.

Esse é apenas um exemplo do poder transformador de uma comunicação interna assertiva e que insere as pessoas. Felizmente, foi-se o tempo em que a gestão se fazia de cima para baixo, dando pouco espaço para participação de quem faz uma empresa acontecer no dia a dia. Os tempos atuais pedem integração, envolvimento e escuta. Afinal, antes de mais nada, precisamos ser também muito bons em ouvir.

Fabiano Martins de Medeiros é diretor-superintendente da Ecosul

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