Por décadas vendemos a ilusão de controle.
Planilhas de Excel, personas engessadas e funis de venda que prometiam previsibilidade.
Mas o jogo virou. A Inteligência Artificial não chegou apenas para “otimizar processos”; ela chegou para expor a mediocridade de quem apenas repplicava fórmulas.
No cenário atual, a eficiência virou commodity.
Se a máquina faz o “bom” em segundos, o que resta para o humano?
O marketing vive hoje um estado de esquizofrenia criativa, oscilando violentamente entre dois polos:
a Magia e o Caos.
O Caos é a Nova Norma
O caos não é a falta de ordem, é o excesso de informação.
É a desintegração das certezas.
Agências tradicionais estão perdidas em prompts vazios, marcas tentam desesperadamente parecer “humanas” através de algoritmos, e o consumidor, mais cínico do que nunca, desenvolve uma cegueira imunológica para qualquer coisa que cheire a genérico.
Navegar no caos não é sobre organização. É sobre estômago.
É entender que a estratégia agora é líquida e que o erro custa caro, mas a inércia custa a existência.
A Magia é a Última Fronteira
A magia, por outro lado, é o que acontece quando paramos de tratar a IA como uma calculadora e passamos a usá-la como um telescópio.
Ela permite enxergar o invisível, antecipar o desejo e criar conexões que beiram o sobrenatural.
Mas aqui está o segredo: não existe magia sem o feiticeiro.
A tecnologia é o pincel, mas a alma da obra ainda depende da mão que o segura. O problema? A maioria dos profissionais está tentando usar um pincel atômico com a mentalidade de quem usa um giz de cera.
O Abismo entre o Código e a Emoção
Enquanto o mercado discute “quais ferramentas usar”, os poucos que realmente vão liderar a próxima década estão discutindo “como pensar”. O abismo entre o código (IA) e a emoção (Marketing) é onde reside a fortuna e a relevância. Quem souber construir essa ponte terá o controle. Quem ignorar a fundação, será engolido pela automação.
O Ponto de Encontro da Tensão
É exatamente nessa zona de desconforto, onde a tecnologia de ponta colide com a psicologia profunda, que nasce o Find 2026. No dia 29 de abril, o Teatro da Unisinos deixa de ser um espaço geográfico para se tornar um laboratório de sobrevivência mental.
Não espere palestras motivacionais ou tutoriais de “como usar o ChatGPT”.
O Find é um convite para olhar o abismo nos olhos.
Com mentes que estão na linha de frente como Hugo Rodrigues, André Foresti e Fábio Bernardi o debate não será sobre o que a IA faz, mas sobre o que sobrou de nós depois que ela faz tudo.

Moyses Costa é estrategista digital, sócio-diretor da Ondaweb, idealizador do FIND e diretor da AnaMid.


One Comment
Gostei muito da ideia de “magia e caos”. Resume bem o momento que a gente vive: muita tecnologia disponível e, ao mesmo tempo, muita gente perdida sem saber o que fazer com ela. Quem conseguir unir ferramenta com visão humana provavelmente vai se destacar nos próximos anos.