As menções ao papel social do jornalismo estão muito presentes no nosso cotidiano. Para além daquilo que consumimos de jornalismo diariamente, através de notícias que buscamos ou que chegam até nós por meio dos algoritmos das redes sociais, as representações que formamos sobre seu papel vão também sendo construídas rotineiramente ao vermos jornalistas em filmes, séries, documentários, músicas, novelas.
Do mesmo modo, na esfera acadêmica, as reflexões sobre a finalidade do jornalismo são discutidas no seu próprio campo de estudos, mas também em outras áreas – como Direito, Medicina, Enfermagem e Economia –, nas quais o jornalismo é tomado como objeto por ser historicamente reconhecido por apresentar os acontecimentos mais importantes.
São inúmeros os espaços que ajudam a construir um imaginário sobre o jornalismo e sobre o que esperar de sua atuação na sociedade. Apesar disso, se forçarmos o olhar em torno do assunto, vemos que muito se fala do tema de um modo amplo, como se fosse naturalizado, sem muitas vezes haver uma preocupação em definir esse papel. Movida por essa inquietação, escolhi fazer a discussão sobre as finalidades do jornalismo na minha tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Ufrgs.
Depois de defender a tese, apresentei a pesquisa em congressos da área, falei sobre ela em entrevistas e também fui convidada a tratar do tema em algumas universidades. Cada vez que eu retomava o assunto e a cada discussão com os alunos, iam surgindo novas questões, dúvidas, ideias de outras formas de apresentar os resultados obtidos. Foi aí que, neste ano, decidi transformar os estudos em torno do tema em um livro, recém-lançado pela Editora Insular, chamado ‘As finalidades do jornalismo’.
A obra apresenta um mapeamento do que os teóricos afirmam ser função do campo, desde a primeira tese sobre jornalismo, datada de 1690. Depois, analisa o que leitores, veículos e jornalistas pensam sobre o tema, buscando responder: o que os leitores esperam do jornalismo? Eles percebem as mesmas finalidades que os veículos e os profissionais do campo? Estão jornalistas em sintonia com os veículos quando se trata de pensar o seu papel? Após essas discussões, o livro traz ainda uma lista de 12 finalidades que, na minha visão, devem ser cumpridas pelo jornalismo. Entendo que a finalidade central do jornalismo é informar de modo qualificado, porque ela é necessária para o cumprimento das demais.
Entender para que serve o jornalismo é uma discussão bastante pertinente no momento atual. Um tempo de excesso de informação, mas também de circulação de dados falsos e de desinformação. Um tempo que exige que, cada vez mais, tenhamos elementos novos para discutir e defender as finalidades deste campo tão importante e necessário para a democracia.
*** O livro ‘As finalidades do jornalismo’ pode ser adquirido no site da Editora Insular, na Estante Virtual e na Amazon.
Gisele Dotto Reginato é jornalista, mestre e doutora em Comunicação. Jornalista concursada do Estado do RS, atualmente trabalha na assessoria de imprensa da Superintendência dos Serviços Penitenciários.

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